Uma história espírita — “O copo sobre a mesa”

Pedro frequentava um centro espírita havia poucos meses.

Estava atravessando uma fase difícil. Sua esposa estava doente, os negócios enfrentavam problemas e, para completar, surgira uma séria desavença com o irmão.

Todas as noites ele colocava um copo de água sobre a mesa.

Fazia uma prece:

— Bons Espíritos, coloquem nesta água aquilo de que eu preciso.

E bebia.

Passaram-se semanas.

Certa noite, depois do Evangelho no Lar, Pedro reclamou:

— Não sei se essa água está funcionando. Meus problemas continuam os mesmos.

A esposa sorriu:

— Talvez você esteja esperando que a água resolva aquilo que você precisa resolver.

Pedro ficou em silêncio.

Naquela noite, durante o sono, teve um sonho muito nítido.

Encontrava-se diante de uma grande fonte de água cristalina. Ao lado dela estava um senhor de aparência serena.

Pedro perguntou:

— Essa água pode me curar?

O homem respondeu:

— Pode ajudá-lo.

— Então por que meus problemas continuam?

O senhor colocou a mão sobre seu ombro e respondeu:

— Porque você pede água nova para continuar carregando pensamentos antigos.

Pedro despertou profundamente impressionado.

Na manhã seguinte olhou para o copo que estava sobre a mesa.

Pela primeira vez não pediu:

“Modifiquem esta água.”

Pediu:

“Senhor, ajude-me a modificar a mim mesmo.”

Naquela tarde telefonou para o irmão.

Conversaram durante quase duas horas.

Houve lágrimas, pedidos de desculpas e finalmente reconciliação.

Na noite seguinte Antônio novamente colocou o copo sobre a mesa.

Mas agora compreendia.

A água poderia ser fluidificada pelos benfeitores.

Seu coração, porém, precisava ser fluidificado por ele próprio.

E talvez aí esteja uma das mais belas interpretações da água fluidificada.