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Afonso de Liguori - 27/09/1696
Afonso Maria de Liguori, conhecido como Santo Afonso de Liguori, nasceu em 27 de setembro de 1696, Marianella, Reino de Nápoles e desencarnou em 1º de agosto de 1787, Pagani, Itália.
Atividade: advogado, sacerdote, bispo, escritor e importante teólogo moral católico.
Formou-se em Direito Civil e Canônico ainda muito jovem e tornou-se advogado de grande prestígio; após perder uma causa decisiva, abandonou a advocacia e seguiu a vida religiosa.
Fundou, em 1732, a Congregação do Santíssimo Redentor — os Redentoristas, dedicada especialmente à evangelização das populações mais pobres.
Foi canonizado em 1839 e posteriormente proclamado Doutor da Igreja, destacando-se pela teologia moral baseada na misericórdia, evitando tanto o rigorismo quanto a permissividade.
Curiosidade: além de teólogo, foi músico, poeta, pintor e compositor de cânticos religiosos.
Influências: profundamente inspirado em Jesus Cristo, no Evangelho e na tradição católica, tornou-se, por sua vez, uma das grandes influências da espiritualidade e da teologia moral católica moderna.
Bezerra de Menezes - 29/08/1831
Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831, no Ceará, e desencarnou em 11 de abril de 1900, no Rio de Janeiro.
Foi médico, político, escritor, jornalista e destacado dirigente espírita brasileiro.
Formou-se em Medicina em 1856 e tornou-se conhecido como “Médico dos Pobres”, pelo atendimento caridoso aos necessitados.
Ingressou no Espiritismo após conhecer O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, oferecido pelo médico Joaquim Carlos Travassos.
Foi presidente da Federação Espírita Brasileira, trabalhando pela união do movimento espírita no país.
Curiosidade: publicou mais de 300 artigos sobre Espiritismo usando o pseudônimo “Max”.
Influências: Allan Kardec, o Cristianismo, a ciência médica e os ideais de caridade e fraternidade.
Seu legado uniu medicina, serviço público, espiritualidade e assistência aos pobres, tornando-o uma das figuras centrais da história do Espiritismo brasileiro.
Amélia Rodrigues - 26/05/1861
Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues
Nascimento: 26 de maio de 1861, em Santo Amaro da Purificação (BA). Desencarne: 22 de agosto de 1926, em Salvador, aos 65 anos.
Atividade profissional: professora, educadora, escritora, poetisa, jornalista e teatróloga.
Dedicou grande parte da vida à educação, literatura, assistência social e formação moral das crianças e jovens.
Curiosidade: começou a escrever poesias ainda aos 12 anos e fundou instituições voltadas à educação e ao amparo social.
Em vida, foi católica praticante e catequista, com forte formação cristã.
Na tradição espírita, é reconhecida como Espírito comunicante através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, vinculada à equipe espiritual de Joanna de Ângelis.
Influências: Cristianismo, Evangelho de Jesus, educação, caridade e valorização da mulher.
Entre suas mensagens espíritas mais conhecidas destaca-se o célebre “Poema da Gratidão”.
Amélie-Gabrielle Boudet - 23/11/1795
Nascimento: 23 de novembro de 1795, em Thiais, França. Desencarne: 21 de janeiro de 1883, em Paris, aos 87 anos.
Atividade profissional: professora diplomada de primeira classe, educadora, escritora, poetisa e artista plástica, com atuação em Letras e Belas-Artes.
Esposa de Hippolyte Léon Denizard Rivail — Allan Kardec, tornou-se sua companheira intelectual e importante sustentáculo da obra espírita.
Era nove anos mais velha que Kardec, diferença que não impediu uma longa parceria afetiva e intelectual.
Antes do Espiritismo, publicou obras sobre literatura, desenho e belas-artes, entre elas Contos Primaveris, Noções de Desenho e O Essencial em Belas-Artes.
Após o desencarne de Kardec, em 1869, assumiu responsabilidades administrativas ligadas à continuidade de sua obra.
Sua formação pedagógica e artística aproximou-a do ambiente intelectual em que Kardec desenvolveu suas atividades educacionais e, posteriormente, espíritas.
Tendo como seu legado espírita ajudou a preservar documentos, patrimônio e iniciativas destinadas à divulgação e continuidade das obras de Allan Kardec.
Sua trajetória mostra que, ao lado do Codificador, havia uma mulher culta, determinada e fundamental para que a obra espírita sobrevivesse à sua partida.
Batuíra 26/12/1838
Antònio Gonçalves da Silva nasceu em 26 de dezembro de 1838, em Vila Meã, Portugal e desencarnou em 22 de janeiro de 1909, em São Paulo. Há biografias antigas que registram 19/03/1839, mas pesquisas documentais apontam 26/12/1838.
Batuíra foi comerciante, vendedor de jornais, fabricante de charutos, proprietário de imóveis, tipógrafo e jornalista; tornou-se destacado divulgador e benfeitor espírita.
Emigrou para o Brasil ainda menino e acabou fixando-se em São Paulo, onde conquistou grande popularidade.
O apelido “Batuíra” veio da comparação com uma ave muito ágil, pois ele percorria rapidamente as ruas entregando jornais.
Participou ativamente da campanha abolicionista, chegando a acolher escravizados fugitivos e auxiliá-los na obtenção da liberdade.
Sua residência tornou-se verdadeiro ponto de assistência aos necessitados, funcionando como abrigo, enfermaria, farmácia e espaço de acolhimento.
Teria sido profundamente inspirado pelo Evangelho de Jesus e pela Doutrina Espírita de Allan Kardec, tornou-se um dos grandes exemplos brasileiros de caridade aplicada.
Fundou o Grupo Espírita Verdade e Luz e criou a Tipografia Espírita, responsável pela publicação do periódico Verdade e Luz, iniciado em 1890.
Chegou a empregar grande parte de seus próprios recursos na divulgação do Espiritismo e no auxílio aos pobres.
Deixou como legado a união entre Espiritismo, comunicação, assistência social e ação concreta de caridade, sendo reconhecido como um dos pioneiros do movimento espírita paulista e brasileiro.
Benjamin Franklin - 17/01/1706
Nasceu em 17 de janeiro de 1706, Boston, EUA e desencarnou em 17 de abril de 1790, Filadélfia, aos 84 anos.
Foi tipógrafo, editor, escritor, cientista, inventor, diplomata e estadista; foi um dos grandes líderes da independência dos Estados Unidos.
Teve pouca educação escolar formal, mas tornou-se autodidata e um dos intelectuais mais respeitados de seu tempo, seus estudos sobre eletricidade e raios deram-lhe fama internacional; também desenvolveu invenções como os óculos bifocais.
Escreveu ainda jovem um famoso epitáfio comparando seu corpo a um livro velho que retornaria em uma “nova e melhor edição”, ideia interpretada por Kardec como expressão de crença na reencarnação e no progresso da alma.
Influências: Iluminismo, racionalismo, investigação científica, liberdade de pensamento, ética prática e aperfeiçoamento pessoal.
É considerado um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos e teve papel decisivo como diplomata durante a Revolução Americana.
Relação com o Espiritismo, Franklin desencarnou décadas antes do surgimento da Doutrina Espírita, portanto não foi espírita em vida.
Entretanto, seu nome aparece entre os Espíritos que assinam os Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, ao lado de Sócrates, Platão, Fénelon e Swedenborg.
Como legado espírita tornou-se exemplo histórico, citado por Kardec, da presença anterior de ideias como reencarnação, progresso espiritual e aperfeiçoamento do ser humano.
Bento de Núrsia – São Bento - 02/03/480
Nome completo: Bento de Núrsia (Benedictus de Nursia).
Nascimento: c. 480, Núrsia, Itália.
Desencarne: c. 547, Monte Cassino, Itália.
Atividade: monge cristão, fundador de comunidades monásticas e autor da célebre Regra de São Bento.
Abandonou ainda jovem a vida urbana de Roma para buscar recolhimento, disciplina moral e espiritualidade.
Fundou o mosteiro de Monte Cassino, que se tornou referência do monaquismo ocidental.
Sua regra valorizava oração, trabalho, equilíbrio, obediência e vida comunitária — sintetizada na tradição por “Ora et labora”.
Influências: Evangelhos, tradição monástica cristã, ascetismo dos primeiros monges do Oriente e ensinamentos de Cristo.
Na perspectiva espiritual, sua vida representa disciplina interior, serviço, desapego e transformação moral.
Blaise Pascal - 19/06/1623
Nascimento: 19 de junho de 1623, Clermont-Ferrand, França. Desencarne: 19 de agosto de 1662, Paris, França, aos 39 anos.
Atividade profissional: Matemático, físico, filósofo, inventor e pensador religioso francês.
Foi um dos grandes gênios científicos do século XVII, contribuindo para a geometria, probabilidades, estudos da pressão atmosférica e do vácuo.
Ainda jovem, criou a Pascalina, uma das primeiras máquinas mecânicas de calcular.
Blaise inventou o dispositivo em 1642, quando tinha apenas 19 anos, com o objetivo de ajudar seu pai no trabalho de coleta de impostos. A Pascalina era capaz de realizar operações de adição e subtração por meio de um sistema de engrenagens e rodas dentadas.
Após uma profunda experiência espiritual em 1654, intensificou seus estudos sobre Deus, fé e a condição humana.
Sua obra Pensamentos (Pensées) reúne reflexões sobre razão, fé, sofrimento, grandeza e fragilidade do ser humano.
Ficou célebre pela chamada “Aposta de Pascal”, argumento filosófico sobre a conveniência racional da crença em Deus.
Influências: Cristianismo, Santo Agostinho, pensamento jansenista, René Descartes e a revolução científica do século XVII.
Christian Friedrich Samuel Hahnemann - 10/04/1755
Nasceu em 10 de abril de 1755, Meissen, Alemanha e desencarnou em 2 de julho de 1843, Paris, França, aos 88 anos.
Foi Médico, químico, escritor e tradutor; fundador da Homeopatia,
Insatisfeito com práticas médicas agressivas de sua época, buscou tratamentos que considerava mais suaves e individualizados.
Em 1790, ao traduzir uma obra de William Cullen, experimentou quina em si mesmo, episódio decisivo para sua teoria do “semelhante cura semelhante”.
Era poliglota e sustentou-se durante anos traduzindo importantes obras científicas e médicas.
Publicou em 1810 o Organon da Arte de Curar, principal obra de sistematização da Homeopatia.
Organon der rationellen Heilkunde (Organon da Arte Racional de Curar). Estabelece os fundamentos filosóficos, teóricos e metodológicos da prática homeopática.
A lei dos semelhantes (similia similibus curentur), que propõe que uma substância capaz de produzir sintomas em uma pessoa saudável pode tratar sintomas semelhantes em um doente.
A obra passou por revisões e publicações em seis edições ao longo da vida e pós-morte do autor.
Foi influenciado por Hipócrates, os estudos farmacológicos de sua época e suas próprias experiências clínicas; sua obra influenciou profundamente a medicina homeopática dos séculos XIX e XX.
Caibar de Souza Schutel nasceu em 22 de setembro de 1868, Rio de Janeiro – RJ, e desencarnou em 30 de janeiro de 1938, em Matão – SP.
Profissão: farmacêutico, escritor, jornalista e homem público; exerceu o cargo de Intendente de Matão, equivalente ao atual prefeito.
Conhecido como “Bandeirante do Espiritismo”, tornou-se um dos grandes divulgadores da Doutrina Espírita no Brasil.
Curiosidade 1: ficou órfão ainda criança e iniciou muito jovem o trabalho em farmácias.
Curiosidade 2: em 1905 fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza, atual Centro Espírita O Clarim, e o jornal O Clarim.
Curiosidade 3: utilizou também o rádio para divulgar o Espiritismo, algo bastante inovador para sua época.
Influências: Allan Kardec, o estudo da imortalidade da alma, os fenômenos mediúnicos e os ensinamentos de Jesus.
Sua atuação uniu divulgação doutrinária, assistência aos necessitados e comunicação social, sendo chamado também de “Pai dos Pobres de Matão”.
Fundou, em 1925, a Revista Internacional de Espiritismo – RIE, publicação histórica do movimento espírita.
Escreveu importantes obras, entre elas Parábolas e Ensinos de Jesus, Médiuns e Mediunidades, A Vida no Outro Mundo e O Espírito do Cristianismo.
Legado: consolidou uma das mais duradouras estruturas de divulgação espírita brasileira, através de livros, imprensa, conferências e trabalho assistencial.
Carlos Torres Pastorino - 04/11/1910
Carlos Juliano Torres Pastorino nasceu em 4 de novembro de 1910, Rio de Janeiro (RJ) e desencarnou em 13 de junho de 1980, Brasília (DF).
Foi professor, escritor, jornalista, radialista, tradutor, músico e estudioso do Espiritismo; teve também formação filosófica e teológica e foi sacerdote católico.
Teve influências do Cristianismo, de Allan Kardec, estudos dos Evangelhos, filosofia clássica e espiritualismo; foi também amigo e tradutor de Pietro Ubaldi.
Em 1950, após estudar O Livro dos Espíritos, declarou-se espírita e passou a dedicar-se intensamente à divulgação doutrinária.
Era extraordinário poliglota, conhecendo línguas modernas e clássicas, entre elas latim e grego.
Além de escritor, compôs dezenas de peças musicais para piano, orquestra e conjuntos de cordas.
Sonhava criar uma Universidade Livre da Sabedoria, projeto que chegou a iniciar em Brasília.
Sua obra mais conhecida é Minutos de Sabedoria, publicada em 1966 e transformada em um dos grandes sucessos editoriais brasileiros de mensagens reflexivas.
Também se destacam Sabedoria do Evangelho e Técnicas da Mediunidade, nas quais procurou aproximar Evangelho, filosofia e estudo dos fenômenos mediúnicos.
Participou da criação do Grupo de Estudos Spiritus, ambiente do qual surgiram iniciativas como o Lar Fabiano de Cristo, a CAPEMI e o Serviço Espírita de Informações.
Legado espírita: deixou uma contribuição marcada pelo estudo racional, divulgação do Evangelho, pesquisa da mediunidade e ampla produção literária, tornando-se um dos intelectuais mais singulares do Espiritismo brasileiro do século XX.
Cammille Flamarion - 26/02/1842
Nicolas Camille Flammarion nasceu em 26 de fevereiro de 1842, Montigny-le-Roi, França e desencarnou em 3 de junho de 1925, Juvisy-sur-Orge, França.
Foi Astrônomo, escritor, divulgador científico e pesquisador de fenômenos psíquicos e um dos maiores popularizadores da astronomia no século XIX, aproximando a ciência do grande público.
Teve contato com Allan Kardec e participou do movimento espiritualista francês, e, em 1869 pronunciou um discurso no túmulo de Kardec, no qual o definiu como “o bom senso encarnado”.
Começou a trabalhar ainda adolescente e estudava astronomia por conta própria, fundando, em 1887, a Sociedade Astronômica da França.
Investigou telepatia, aparições, experiências de quase-morte e relatos relacionados à sobrevivência da consciência.
Foi influenciado pela astronomia, pelo positivismo científico e pelas discussões espiritualistas de seu tempo.
Sua notoriedade veio da capacidade de unir ciência, filosofia e reflexão sobre a existência humana.
Para o movimento espírita, deixou importante legado ao defender a investigação racional dos fenômenos psíquicos.
Suas obras ajudaram a fortalecer o diálogo entre Espiritismo, ciência e imortalidade da alma.
Delphine de Girardim - 26/01/1855
Nascimento: 24 de janeiro de 1804, Aachen (Aix-la-Chapelle), então território francês.
Desencarne: 29 de junho de 1855, Paris, França, aos 51 anos.
Atividade: poetisa, escritora, dramaturga, jornalista e influente anfitriã de salões literários franceses.
Filha da escritora Sophie Gay, cresceu em ambiente intelectual e artístico.
Casou-se com Émile de Girardin, jornalista e político francês, importante nome da imprensa francesa, passando então a ser conhecida como a sra. Émile de Girardin.
Escreveu famosas crônicas parisienses sob o pseudônimo Vicomte de Launay.
Em 1853, visitando Victor Hugo em Jersey, participou da introdução das experiências com mesas girantes no círculo do escritor.
Essas experiências contribuíram para o interesse de Victor Hugo pelos fenômenos espirituais.
Influências: romantismo francês, Sophie Gay, Victor Hugo e os círculos literários e espiritualistas do século XIX.
François Arago - 26/02/1786
Dominique François Jean Arago — François Arago
Nascimento: 26 de fevereiro de 1786, Estagel, França. Desencarne: 2 de outubro de 1853, Paris, aos 67 anos.
Foi físico, astrônomo, matemático, professor e político francês; foi membro da Academia de Ciências e diretor do Observatório de Paris.
Foi um dos grandes cientistas franceses do século XIX, destacando-se nos estudos da luz, do magnetismo e da astronomia.
Participou de trabalhos fundamentais de medição do meridiano terrestre e contribuiu para a consolidação da teoria ondulatória da luz.
Teve importante atuação política durante a Revolução Francesa de 1848, chegando à chefia do governo francês por breve período.
Desencarnou quatro anos antes da publicação de O Livro dos Espíritos; portanto, não foi espírita durante sua vida terrena.
Sua influência sobre o Espiritismo aparece posteriormente: Allan Kardec registra comunicações atribuídas ao Espírito François Arago na Revista Espírita.
Em O Livro dos Médiuns, Kardec menciona explicitamente o “Espírito de Arago” ao discutir leis ainda desconhecidas da natureza e a resistência científica aos fenômenos espíritas.
Assim, tornou-se símbolo da aproximação entre ciência, investigação racional e fenômenos espirituais, atitude particularmente valorizada por Kardec.
Sua máxima postura de prudência científica — preferir a dúvida à negação precipitada do desconhecido — foi elogiada pelo próprio Kardec.
Assim, Arago ocupa lugar interessante na história espírita como uma ponte simbólica entre ciência, razão e investigação da realidade espiritual.
Emanuel Swedenborg - 29/01/1688
Emanuel Swedenborg — nasceu em 29 de janeiro de 1688, em Estocolmo, Suécia, e desencarnou em 29 de março de 1772, em Londres, aos 84 anos.
Foi cientista, engenheiro, inventor, filósofo, anatomista, funcionário do Conselho de Minas da Suécia e, posteriormente, teólogo e místico cristão.
Sua formação foi fortemente influenciada pelo cristianismo luterano, pelo Iluminismo e pelo pensamento científico europeu.
Antes das experiências espirituais, destacou-se em astronomia, matemática, mineração, anatomia e engenharia.
A partir de aproximadamente 1745, afirmou ter sua percepção espiritual aberta e conversar conscientemente com Espíritos e anjos.
Anunciou antecipadamente que morreria em 29 de março de 1772, data em que efetivamente faleceu.
Descreveu detalhadamente o mundo espiritual, céu, inferno, vida após a morte e a continuidade da personalidade, tornando-se um precursor do espiritualismo moderno.
Sua obra influenciou pensadores como Ralph Waldo Emerson e, posteriormente, estudiosos do Espiritualismo como Arthur Conan Doyle.
Para o Espiritismo, seu maior legado foi antecipar temas como comunicação espiritual, sobrevivência da alma e organização do mundo invisível, embora Kardec discordasse de vários aspectos de sua teologia.
Seu nome aparece, inclusive, entre os Espíritos mencionados nos Prolegômenos de O Livro dos Espíritos.
Kardec dedicou a Swedenborg um estudo na Revista Espírita de novembro de 1859, reconhecendo-o como “um dos homens mais eminentes de seu século”, embora apontasse limitações em sua doutrina.
Assim, Swedenborg permanece como uma das grandes pontes históricas entre o misticismo cristão, a investigação racional e o surgimento posterior do movimento espírita.
Emmanuel (espírito)
Seu nome se encontra grafado com dois "m" no original francês L’Évangile Selon le Spiritisme. Sua mensagem é datada de Paris, em 1861, e inserida no cap. XI, item 11, do Evangelho Segundo o Espiritismo, intitulada "O egoísmo". Ficou mais conhecido pela psicografia do médium mineiro Francisco Cândido Xavier.
Segundo ele, foi no ano de 1931 que, pela primeira vez, numa das reuniões habituais do Centro Espírita, se fez presente o bondoso Espírito Emmanuel.
Descreve Chico: Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz.
Convidado a se identificar, apresentou alguns traços de suas vidas anteriores, dizendo ter sido senador romano, descendente da orgulhosa gens Cornelia e, também, sacerdote, tendo vivido inclusive no Brasil.
Erasto (espírito)
Erasto foi apresentado por Allan Kardec como discípulo de Paulo de Tarso (São Paulo).
Nascimento e desencarne: datas desconhecidas; teria vivido no século I da era cristã.
Atividade: colaborador de Paulo de Tarso na expansão do Cristianismo; o Erasto bíblico é citado como ligado a Corinto e como administrador/tesoureiro da cidade.
No Espiritismo, destacou-se como importante orientador espiritual da Codificação Espírita, especialmente sobre mediunidade.
Kardec descreveu suas comunicações como marcadas por grande profundidade e lógica.
Em O Livro dos Médiuns, Erasto aparece explicando fenômenos mediúnicos e corrigindo respostas de Espíritos menos instruídos.
É atribuída a ele a célebre advertência espírita: “Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade.”
Influênciou o Cristianismo primitivo com os ensinamentos de Jesus e convivência com Paulo de Tarso.
Tornou-se uma das entidades espirituais mais respeitadas nas obras de Kardec, sobretudo pelo rigor no exame das comunicações mediúnicas.
Seu legado dexado ao Espiritismo foi defesa da prudência, lógica, discernimento e controle racional da mediunidade, ajudando a estabelecer critérios contra mistificações.
Sua mensagem permanece extremamente atual: no Espiritismo, não basta uma comunicação parecer espiritual — ela precisa resistir ao exame da razão.
Lamennais - 19/06/1782
Hugues-Félicité Robert de Lamennais, conhecido como Félicité de Lamennais, nasceu em 19 de junho de 1782, Saint-Malo, França e desencarnou em 27 de fevereiro de 1854, Paris, aos 71 anos.
Foi sacerdote católico, filósofo, teólogo, escritor, jornalista e político francês, considerado precursor do catolicismo liberal e social.
Infuenciado por Pascal, Rousseau, seu irmão Jean-Marie e, inicialmente, pensadores católicos tradicionalistas; posteriormente aproximou-se das ideias de liberdade, democracia e justiça social.
Começou defendendo fortemente a autoridade papal, mas depois rompeu profundamente com a hierarquia da Igreja Católica.
Fundou o jornal L’Avenir, defendendo liberdade de consciência, imprensa, ensino e separação entre Igreja e Estado.
Após seu desencarne, seu nome aparece como Espírito comunicante nas obras de Allan Kardec.
Notoriedade espírita: comunicações atribuídas a Lamennais foram recebidas principalmente pelo médium Alfred Didier na Sociedade Espírita de Paris.
Kardec considerava-o um “Espírito bom e avançado”, embora alertasse que suas mensagens deveriam ser analisadas criticamente.
Legado espírita: deixou importantes reflexões filosóficas e morais na Revista Espírita e em O Evangelho segundo o Espiritismo, destacando caridade, responsabilidade e progresso espiritual.
Sua trajetória é particularmente interessante porque simboliza a passagem da religião dogmática para uma espiritualidade social, racional e comprometida com a liberdade de consciência.
Fénelon - 06/08/1651
François de Salignac de la Mothe nasceu em 6 de agosto de 1651, Périgord, França e desencarnou em 7 de janeiro de 1715, Cambrai, França.
Foi acerdote católico, teólogo, escritor, educador e arcebispo de Cambrai.
Foi também preceptor do Duque de Borgonha, neto e herdeiro de Luís XIV, para quem escreveu obras de caráter moral e educativo.
Sua célebre obra As Aventuras de Telêmaco continha reflexões políticas e críticas indiretas ao absolutismo e aos excessos do poder.
Defendeu a ideia do “amor puro” a Deus, aproximando-se do misticismo de Madame Guyon, o que provocou forte conflito com Bossuet e censura eclesiástica.
Tornou-se membro da Academia Francesa em 1693 e destacou-se como importante pensador da educação.
Influenciou o cristianismo, educação moral e defesa de uma espiritualidade baseada no amor, humildade e fraternidade.
No Espiritismo, o nome Fénelon aparece assinando diversas comunicações espirituais publicadas por Allan Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo.
Entre elas estão mensagens sobre amor ao próximo, ódio, perdão, sofrimento e desapego, registradas em cidades francesas entre 1860 e 1861.
Como legado tornou-se uma das personalidades espirituais associadas à Codificação, reforçando o princípio de que o amor, a caridade, o perdão e a transformação moral constituem caminhos essenciais de aproximação com Deus.
Gabiel Delanne - 23/03/1857
François-Marie Gabriel Delanne nasceu em 23 de março de 1857, Paris, França e desencarnou em 15 de fevereiro de 1926, Paris, aos 68 anos.
Como atividade profissional foi engenheiro eletricista, escritor, pesquisador psíquico e estudioso experimental do Espiritismo.
Foi um dos grandes continuadores da obra de Allan Kardec, ao lado de Léon Denis, destacando principalmente o aspecto científico da Doutrina Espírita.
Nasceu justamente em 1857, ano da publicação de O Livro dos Espíritos. Seu pai, Alexandre Delanne, era amigo de Kardec; sua mãe era médium e participou de trabalhos ligados à Codificação.
Gabriel, mesmo enfrentando progressiva perda da visão, continuou ligado às pesquisas psíquicas praticamente até o fim da vida.
Sua principal influência foi Allan Kardec, somada à formação técnica que o levou a examinar mediunidade, perispírito, materializações e reencarnação de maneira experimental.
Entre suas obras estão O Espiritismo perante a Ciência, O Fenômeno Espírita, A Evolução Anímica, A Alma é Imortal e A Reencarnação.
Fundou e dirigiu publicações espíritas, entre elas a Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, fortalecendo o diálogo entre Espiritismo e investigação científica.
Legado: consolidou-se como um dos maiores representantes do chamado Espiritismo científico, buscando oferecer bases experimentais para a sobrevivência da alma, mediunidade e reencarnação.
Guillon Ribeiro - 23/03/1857
Luís Olímpio Guillon Ribeiro nasceu em 17 de janeiro de 1875, São Luís, Maranhão e desencarnou em 26 de outubro de 1943, Rio de Janeiro, aos 68 anos.
Foi engenheiro civil, jornalista, escritor, tradutor e servidor do Senado Federal, onde chegou a Diretor-Geral.
Aderiu definitivamente à Doutrina Espírita em 1911 e tornou-se uma das grandes lideranças da FEB.
Presidiu a Federação Espírita Brasileira em 1920–1921 e de 1930 até seu desencarne, em 1943; também dirigiu a revista Reformador.
Trabalhou à noite como redator do Jornal do Commercio para custear os estudos e ajudar a família.
Colaborou com Ruy Barbosa na revisão do Projeto do Código Civil, recebendo dele reconhecimento público no Senado.
Dedicou-se durante anos a visitar e consolar detentos da Casa de Correção do Rio de Janeiro.
Influênciado por Allan Kardec e importantes pensadores espiritualistas europeus, cujas obras conhecia em francês, inglês e italiano.
Como legado espírita traduziu para o português O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese e Obras Póstumas.
Sua atuação editorial e administrativa ajudou decisivamente a consolidar a FEB e a divulgação da Codificação Espírita no Brasil.
Hernani Guimarães Andrade - 31/05/1913
Nasceu em 31 de maio de 1913, em Araguari, Minas Gerais. Desencarne: 25 de abril de 2003, em Bauru, São Paulo.
Foi engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, pesquisador, escritor e estudioso da Parapsicologia e da Psicobiofísica.
Tornou-se espírita aos 16 anos, atraído especialmente pelo caráter racional dos ensinamentos de Allan Kardec.
Fundou, em 1963, o Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas – IBPP, dedicado à investigação científica de fenômenos relacionados à sobrevivência da consciência.
Pesquisou casos sugestivos de reencarnação, mediunidade, fenômenos paranormais e transcomunicação instrumental, utilizando metodologia investigativa.
Desenvolveu a ideia do Modelo Organizador Biológico – MOB, buscando explicar a atuação do princípio espiritual sobre a organização do corpo físico.
Entre suas influências estavam Allan Kardec, Gabriel Delanne, Léon Denis, Ernesto Bozzano, Camille Flammarion e William Crookes.
Sua notoriedade decorre sobretudo da tentativa de estabelecer um diálogo experimental entre Espiritismo, Parapsicologia e ciência.
Como legado deixou numerosos livros, pesquisas e investigações que fortaleceram o aspecto científico do movimento espírita brasileiro e influenciaram novas gerações de pesquisadores, sendo lembrado como um dos mais importantes pesquisadores espíritas brasileiros do século XX.
Hipolyte Lèon Denizard Rivail, o pedagogo - Allan Kardec - 03/10/1804
Com apenas vinte anos de idade (1824), o jovem e talentoso professor Rivail dava, a público, pela tipografia de Pillet Ainé, de Paris, o seu primeiro livro: “Curso Prático de Aritmética, segundo o Método de Pestalozzi, com modificações”. Eram dois tomos em formato grande, recomendados aos educadores e às mães de família.
Essa valiosa obra, que teve várias reedições, abre-se com um “Discurso Preliminar” em que Rivail recorda um dos seus primeiros e mais queridos mestres e escreve: «Devo aqui prestar homenagem a uma pessoa que protegeu minha infância, o sr. Boniface, discípulo de Pestalozzi, professor tão distinto pela sua erudição como pelo seu talento para ensinar.
Ninguém mais do que ele possui a arte de fazer-se amado pelos seus alunos. Foi um dos meus primeiros mestres e sempre me hei de lembrar com que prazer meus colegas e eu frequentávamos as suas aulas.
Cheio de amor pela infância, ao mesmo tempo que verdadeiro filantropo, fundou uma escola à Rua de Tournon, no bairro de Sain-Germain, que bem mereceu os elogios que lhe dispensam as pessoas mais distintas e merecedoras. Ë autor de vários trabalhos, entre os quais um “Curso de Desenho Linear”, muito estimado».
Daí se poderia deduzir que Rivail frequentou a escola da Rua de Tournon. O sr. Boniface deve ter sido parisiense. Ora, ao que parece, Rivail não foi a Paris antes de 1820. De qualquer maneira, foi graças a este mestre que Rivail escreveu sua primeira obra.
“O sr. Boniface – diz ele – houve por bem ajudar-me com seus conselhos”, melhor ainda, sugeriu-lhe a ideia desse “Curso”, no qual explica o método do professor pestaloziano e os princípios que lhe formam a base, revelando a seguir o seu alto espírito altruístico, ao declarar:
“Desejando tornar-me útil aos jovens e concorrer com todas as minhas forças para aplainar-lhes a trilha árdua dos estudos, aproveitarei, com empenho, os conselhos que de boa vontade me chegarem de pessoas que me são superiores pelo saber e pela experiência, considerando que a aprovação dos homens de bem sempre me será gratíssima recompensa”.
Quem assim se expressava era um jovem de vinte anos, mal saído dos bancos escolares, mas já vivamente interessado em libertar da ignorância, com todas as suas perniciosas conseqüências, a juventude de sua pátria. Com esse primeiro livro, Rivail iniciou na França a sua missão de educador e pedagogo emérito, ali se afirmando como a maior autoridade no método Pestalozzi.
Durante trinta anos, sobrepondo-se às incompreensões e aos reveses, empenhou-se de corpo e alma em instruir e educar um sem número de crianças e jovens parisienses, segundo modernas práticas pedagógicas por ele mesmo criadas, muitas das quais só mais tarde, no século XX, seriam retomadas e largamente difundidas por ilustres reformadores do ensino.
Quando o Prof. Rivail deixou a Suíça, rumo a Paris, ocupou-se em traduzir para o alemão obras de grandes autores clássicos da França, dando preferência aos escritos de Fénelon, alguns dos quais, como “Telêmaco” receberam inteligentes notas e foram publicados posteriormente para uso nos educandários.
Já nessa época Rivail era lingüista notável e poliglota, tanto que conhecia a fundo e falava correntemente o alemão, o inglês, o italiano e o castelhano, podendo exprimir-se facilmente em holandês e possuindo sólidos conhecimentos de latim, grego e gaulês.
Fundou e dirigiu em Paris uma Escola do Primeiro Grau (1825), que não sabemos por quanto tempo subsistiu. Sabemos que ele criava, logo em seguida, um Instituto Técnico e que rapidamente ganhou fama. Situava-se à Rua de Sêvres nº 35 e era semelhante ao Instituto de Yverdun.
Posteriormente auxiliado pela Professora Amélie Gabrielle Boudet, com quem se consorciou em 1832, desenvolveu ali notável trabalho de aprimoramento da inteligência de centenas de alunos, aos quais carinhosamente chamava “meus amigos”, dando-lhes repetidas vezes este conselho: “Instruindo-vos, trabalhais para a vossa própria felicidade”.
O associado do Prof. Rivail – ao que parece um seu tio – tinha paixão pelo jogo; ele arruinou o sobrinho perdendo grandes quantias em Spa e Aixla-Chapelle. Rivail liquidou o Instituto, restando da partilha 45.000 francos para cada um dos sócios. Essa soma foi colocada pelo casal Rivail nas mãos de amigos íntimos que fizeram maus negócios e cuja falência deixou sem nada os credores.
Necessitando de capital para dar prosseguimento à sua obra educativa, o Prof. Rivail empregou-se como “contrôleur” no Théatre des Délassements Comiques. então funcionando no Boulevard du Temple, episódio que os adversários do Espiritismo não se esquecem de lembrar, fazendo-o com ironia e sarcasmo.
Afirma o jornalista parisiense René du Merzer, do qual promana a informação, revelada logo após o sepultamento de Kardec, que pouco depois o Professor Denizard Rivail abandonava o referido Teatro para trabalhar como guarda-livros na livraria religiosa de Pélagaud e nos escritórios de “L’Univers, influente folha católica (se assim se pode considerá-la) fundada em 1836.
Ocupado durante todo o dia, dedicava as noites à elaboração de novos e importantes livros de ensino e pedagogia, à tradução de obras do inglês e do alemão e à preparação de todos os cursos que ele, juntamente com o Prof. Lévi Alvarés, dava a alunos de ambos os sexos no Faubourg de Saint-Germain. “A educação, – frisava na época o grande discípulo de Pestalozzi – é a obra de minha vida, e todos os meus instantes eu os dedico a esta matéria”
Fundando à Rua de Sêvres n.º 35, um Liceu Polimático, ali organizou, de 1835 a 1850, cursos gratuitos de Química, Física, Astronomia e Fisiologia, “empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa época que só um número muito reduzido de inteligências ousava enveredar por esse caminho”.
Lecionou também Matemática e Retórica, sendo vastos os seus conhecimentos filológicos e de gramática da língua francesa, como o demonstram algumas obras de sua autoria. Preconizou o desenho geométrico, a leitura ponderada, os exercícios práticos de redação, e considerou útil o estudo e o exercício da música vocal.
Aplicando todos os seus esforços no desenvolvimento das virtualidades intelectuais e morais da juventude, não lhe pode ser contradita a formação de humanista cristão.
Dirigiu críticas ao método pelo qual se aprendia História, em que dava importância demasiada a datas e a fatos políticos, salientando que o verdadeiro objetivo da História deve ser “o estudo dos usos e costumes, do progresso artístico e científico das várias épocas”.
A fim de obter maior aproveitamento dos alunos, chegou a inventar um quadro mnemônico que facilitasse o estudo da História da França. Chef d’ Institution da Academia de Paris, o Prof. Denizard Rivail tornou-se membro de dezenas de Sociedades e Institutos culturais de sua Pátria, quase todos da capital.
É bastante longa a lista de obras didáticas que escreveu, só ou com Levy-Alvarés. O ano de publicação é, às vezes, incerto, mas julgamos útil lembrar alguns títulos, para dar Idéia de sua atividade pedagógica: “Gramática normal dos exames”, ou soluções racionais de todas as perguntas sobre gramática francesa, propostas nos exames da Sorbonne e em todas as Academias da França para obtenção de certificados e diplomas de habilitação e para admissão ao funcionalismo público, resumindo a opinião da Academia Francesa e de vários gramáticos sobre os princípios e dificuldades da língua francesa. Obra escrita em colaboração com Lévy-Alvarés.
“Curso de cálculo de cabeça”, pelo método Pestalozzi (para uso das mães de família e dos professores, no ensino de crianças pequenas).
“Tratado de Aritmética”- (3.000 exercícios e problemas graduados). Único que contém o método adotado pelo comércio e pelos bancos para o cálculo de juros.
“Questionário gramatical, literário e filosófico”, em colaboração com Levy-Alvarés.
“Manual dos exames para certificados de habilitação”.
“Catecismo gramatical da língua francesa”.
“Soluções racionais das perguntas e dos problemas de aritmética e de geometria usual”, propostos nos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbone.
“Solução dos exercícios e problemas do tratado completo de aritmética.
Suas últimas obras pedagógicas publicadas foram:
“Ditados normais dos exames do “Hôtel de Ville” e da Sorbonne”.
“Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas”.
As suas obras são adotadas pela Universidade de França, o que vem coroar, de certa maneira, um quarto de século de atividades ao serviço da instrução pública.
Aliás Rivail não renuncia aos seus “Planos e Projetos”. Depois do “Programa de estudos conformes ao plano de instrução”, editado em 1838, publica às suas custas, um “Projeto de reforma”, em que trata dos exames e dos educandários para jovens, acompanhado de uma proposta concernente à adoção das obras clássicas pela Universidade, a respeito do novo projeto de lei do ensino,
O Projeto é de 1847 e a indicação “impresso na casa do autor, Rua Mauconseil, 18, leva-nos a crer que Rivail se tivesse mudado da Rua de Sévres. Também é interessante notar que, entre os seus títulos citados na obra «Membro da Real Academia de Ciências Naturais de França, etc. já não figura o de “discípulo de Pestalozzi”.
Isto não significa, entretanto, que o autor tivesse esquecido completamente as lições do mestre sobre a “natureza da criança”, o “papel da mãe e do Professor-Jardineiro”.
Vemos que Rivail, ao término de longa atividade e experiência pedagógica estava preparado para a outra tarefa, a fundação do Espiritismo. Foi graças à sua clareza e concisão – rigor todo cartesiano – que ele conseguiu por em evidência tudo o que era válido no fato espírita.
Em toda a obra espírita não encontramos um episódio sequer em que Allan Kardec se deixasse arrastar por palavras descontroladas ou por alguma divagação inspirada. Isto prova que soube canalizar o seu substrato religioso no rumo da explicação positiva. E é exatamente isto que constitui a mais profunda característica do Espiritismo.
Mais do que nunca, somos levados a pensar que a vida de Allan Kardec e a fundação do Espiritismo Científico são coincidentes.
À força de escrever obras de aritmética, de geometria, de química, de física, de história, de literatura, etc,. Rivail tinha-se tornado homem de grande instrução.
Nada lhe era desconhecido. Sua curiosidade baseava-se em sólido método de pesquisas. Embora trabalhando para a educação das crianças do seu país, transforma-se em homem sem pátria, sem ligações particulares.
É o homem universal. As ciências, o estudo das humanidades, ensinaram-lhe que o homem, para ser verdadeiramente livre, deve tomar consciência de seu universalismo. O espírito de tolerância, de caridade, deve ser mais forte que o de clã, de seita ou de igreja, de grupo limitado no tempo e no espaço.
Ao cessar a publicação de seus trabalhos pedagógicos, Rivail passou a se interessar mais pelos problemas sociais. Ao mesmo tempo sua curiosidade era despertada para os fenômenos “Insólitos”, que se produziam e eram observados na América, na Inglaterra e na Alemanha. A carreira do Prof. Rivail estava chegando ao fim.
Allan Kardec vai surgir em sua própria figura e trazer mais metodologias, as quais suas repercussões seguem até os dias atuais.
Victor Hugo - 26/02/1802
Nascimento: 26 de fevereiro de 1802, em Besançon, França. Desencarne: 22 de maio de 1885, em Paris.
Foi poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e político francês, autor de Os Miseráveis e Notre-Dame de Paris.
Foi uma das maiores figuras do Romantismo francês, destacando-se também pela defesa da liberdade, da justiça social e da dignidade humana.
Durante seu exílio na ilha de Jersey, participou, entre 1853 e 1855, de numerosas experiências com as chamadas mesas girantes, onde as sessões começaram sob forte influência de Delphine de Girardin, que apresentou a prática à família Hugo.
Foram registrados diálogos atribuídos a personalidades como Shakespeare, Dante e Molière, além de entidades que se apresentavam simbolicamente.
A morte trágica de sua filha Léopoldine, em 1843, marcou profundamente sua vida e intensificou suas reflexões sobre morte, imortalidade e transcendência.
Suas principais influências reuniam cristianismo, romantismo, humanismo, justiça social e a busca filosófica pela sobrevivência da alma.
É importante observar que Hugo não foi propriamente um discípulo de Allan Kardec: suas experiências mediúnicas em Jersey antecederam a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857.
Sua notoriedade para o movimento espírita decorre sobretudo do fato de um intelectual de enorme prestígio ter levado seriamente a possibilidade da comunicação com os mortos.
Os registros dessas reuniões foram posteriormente publicados como Les Tables Tournantes de Jersey, tornando-se importante documentação histórica sobre o espiritualismo do século XIX.
Seu legado foi tentar aproximar literatura, filosofia e investigação espiritual, contribuindo culturalmente para o ambiente intelectual em que o Espiritismo se desenvolveria na França.