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1 O EVANGELHO DE JESUS
A DOUTRINA Espírita adotou os ensinamentos de Jesus como parte moral e religiosa num trabalho compilado por Allan Kardec, utilizando-se das diversas explicações trazidas pelos Espíritos Superiores, através de vários médiuns, a respeito das parábolas de Jesus, sob a ótica do Espiritismo.
E legou-nos O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, que nos remete às máximas morais Jesus, em consonância com os ensinamentos dos Espíritos, e como elas podem nos proporcionar tranquilidade, paz e felicidade quando seguidas por nós.
Uma obra que nos ensina, estimulando o nosso raciocínio para as verdades da vida, trazendo consolo e esperança aos mais humildes e sofridos habitantes deste orbe terrestre.
Esta obra também demonstra-nos, através de explicações claras e de ensinamentos factíveis, que a reforma íntima, na senda de Jesus, é a mais absoluta e única maneira de libertarmo-nos de todos os sofrimentos que impingimos a nós mesmos durante a nossa trajetória pelas sucessivas encarnações.
Esse, o grande motivo de adotarmos a obra O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO como base para realizarmos o Evangelho no Lar, porque a Doutrina Espírita, acima de quaisquer outras considerações, é uma religião cristã, considerada por todos nós, como a fonte viva e segura, na verdade, a mais precisa bússola a orientar-nos a caminhada rumo à nossa evolução e, consequentemente, à alegria de viver.
2 O EVANGELHO NO LAR
A PRÁTICA do Evangelho no Lar constitui-se uma das mais importantes atividades dos componentes de uma família, ocasião em que terão a oportunidade de se reunirem ao redor de uma mesa a fim de estabelecerem alto grau de relacionamento sadio e de cumplicidade através dos ensinamentos de Jesus.
Com o culto do Evangelho no Lar, além de estudarem as palavras de Jesus, à luz da Doutrina dos Espíritos, com as sábias explicações do Plano Superior, obterão:
– um aprendizado a respeito do que de mais seguro existe sobre como conduzir os passos nas mais variadas e prováveis dificuldades da vida;
– um profundo compromisso uns para com os outros, pois esse estudo, em comunhão de pensamentos e de conclusões sobre a verdadeira finalidade da vida, certamente proporcionará um verdadeiro pacto de paz, num exercício de amor e fraternidade;
– a compreensão de que todos somos Espíritos criados por Deus, cada qual a seu tempo, possuindo um determinado grau de evolução e que, por esse motivo, somos criaturas diferentes umas das outras, por certo necessitadas de auxílio mútuo;
– o entendimento de que esse encontro de corações num mesmo lar deverá ser encarado como uma reunião de aprendizes, uns mais adiantados e outros menos, mas que todos, nessa encarnação, cursam a mesma escola da vida, onde não há um só que nada tenha a assimilar e a oferecer;
– a conscientização de que a reencarnação num mesmo lar não significa, obrigatoriamente, uma reunião de almas afins, e, sim, na maioria das vezes, Espíritos devedores uns dos outros, no exercício do perdão e da reconciliação.
Com esta rápida explanação, oferecemos este folheto com a finalidade de auxiliar a todos os que desejarem conquistar uma vida mais proveitosa e feliz junto à família que Deus permitiu se formasse para caminhar num dos infinitos caminhos para a evolução.
3 PRATICANDO O EVANGELHO NO LAR
O Evangelho no Lar, via de regra, é realizado pela família em sua própria casa, iniciando-se com uma prece e, após, uma leitura de um capítulo ou um trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, seguido de uma interpretação de seus ensinamentos.
Deverá ser realizado com pontualidade e em determinado dia da semana, pois a disciplina acarretará inúmeros benefícios, os quais citaremos a seguir:
1. O entendimento dos ensinamentos de Jesus em comunhão de pensamentos em muito favorecerá que se os pratique no ambiente doméstico.
2. As lições do Mestre, apreendidas pelos familiares, trarão, com certeza, a compreensão de que viverão em maior harmonia, tendo em vista que, no próprio estudo, poderão compreender e superar todos os desajustes que porventura venham a existir, despertando o sentimento de fraternidade e amor que deve coexistir entre todos os familiares.
3. Estimulando a presença das crianças nessa reunião, permitindo que elas participem, mesmo que seja apenas como ouvintes ou oferecer a elas uma explicação mais simplificada sobre a leitura, com certeza essa prática iniciará nelas um interesse pelos ensinamentos de Jesus, acarretando-lhes as primeiras ideias sobre a moral cristã.
4. A família aprenderá a conviver melhor entre seus elementos e, por consequência, com toda a família universal, compreendendo que todos somos filhos de um mesmo Pai e que cada um é um Espírito distinto, universal, compreendendo que todos somos filhos de um mesmo Pai e que cada um é um Espírito distinto, com suas dificuldades, seus defeitos e suas virtudes. Na compreensão disso, tudo se tornará mais fácil, pela aquisição do raciocinado estímulo à compreensão, à caridade, à compaixão e ao perdão, na certeza de que todos somos irmãos e que dependemos uns dos outros para uma feliz convivência nesta Terra bendita, onde nos encontramos no atual momento.
5. Quando essa prática obedecer dia e horário preestabelecidos, Espíritos protetores terão condições de ali se reunirem, auxiliando Espíritos de conduta inferior que porventura se encontrem no lar, bem como, transformarem esse local num pronto-socorro espiritual para diversos trabalhos de esclarecimento e consolo no verdadeiro plano da vida.
6. Além de todos esses benefícios, os participantes criarão propício momento e condições ideais para receberem salutares e benéficas inspirações a respeito de dificuldades que venham a estar enfrentando.
Enfim, o padrão vibratório desses instantes de muita paz será assimilado por todos, trazendo-lhes um real equilíbrio na mente e no coração, facilitando-lhes uma semana de felizes realizações, sempre com Jesus.
COMO FAZER
1. Determinar um dia da semana e um horário em que, pelo menos, a maioria dos familiares possa participar.
2. Obedecer o horário e a presença dos participantes, que deverá ser sempre constante, a fim de que os Espíritos tenham um ambiente propício às suas atividades assistenciais nos dois plano da vida.
3. É aconselhável que as pessoas se sentem ao redor de uma mesa para que todos os presentes possam efetivamente participar do estudo com a consequente permuta de impressões e esclarecimentos sobre o texto enunciado.
4. Disponibilizar um copo com água para cada participante, facilitando, assim, uma fluidificação da água de acordo com as necessidades de cada um.
5. A reunião deverá ser iniciada com uma prece, em voz alta, por um dos presentes, expressa de maneira simples, sempre usando o coração, sem a necessidade de frases ricamente elaboradas. Essa prece tem a finalidade de preparar o equilíbrio dos participantes, concorrendo a que cada um se desligue dos problemas do dia a dia e volte sua atenção para os ensinamentos de Jesus.
6. Em seguida, iniciar a leitura de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, que poderá ser efetuada de duas maneiras:
a) leitura de maneira ordenada, pela qual o Evangelho deverá ser lido em sequência, desde o primeiro capítulo, a fim de que todos tomem conhecimento do mesmo, na ordem em que foi escrito; ou
b) abrindo-se uma página ao acaso, permitindo que a Espiritualidade possa interagir nesse processo, pelo qual a página escolhida esteja condizente com as maiores necessidades do grupo. Essa segunda maneira é aconselhada quando todos os integrantes já conheçam o Evangelho; caso contrário, seria melhor seguir a sequência.
7. Escolher um trecho do Evangelho que não seja longo demais e, se o for, poderá ser dividido para ler a outra parte na reunião seguinte. E após a leitura, deixar a palavra livre, numa sequência combinada, para que os integrantes façam perguntas ou exponham sua interpretação, sempre no sentido de extrair-se o melhor para a evolução de todos, numa melhoria de seus atos no dia a dia.
8. Se houver um integrante que detiver maior conhecimento sobre a Doutrina, caberá a ele dirimir as dúvidas que surgirem, mas, sempre, na predisposição de, se for o caso, pesquisar sobre o assunto. De qualquer forma, se não houver alguém com mais experiência, isso não é empecilho para não realizar o estudo do Evangelho no Lar, pois todos possuem raciocínio e inteligência suficientes para realizá-lo, sempre com muita fraternidade e espírito de pesquisa, afinal, os ensinamentos de Jesus são muito simples e de fácil compreensão.
9. Considerando algumas poucas exceções necessárias, não são aconselháveis manifestações mediúnicas, tais como comunicações orais de Espíritos, psicografias ou passes, sendo que essas atividades devem ser realizadas nos Centros Espíritas.
10. Nas reuniões do Evangelho no Lar, as atitudes de seus participantes são muito importantes para que o estudo transcorra em um clima de muita paz e de suaves emanações fluídicas. Por esse motivo, deve-se evitar assuntos que encerrem censuras, julgamentos, comentários daninhos ou inferiores dirigidos a pessoas, a religiões ou qualquer outro tipo de diálogo não edificante.
11. Nada impede que crianças participem, mas, nesse caso, e conforme o assunto, adequá-los ao entendimento delas. E essa é uma boa prática porque, aos poucos e gradativamente, elas muito irão aprender.
12. Trinta minutos é o tempo ideal para essa reunião, apesar de não haver nada que a impeça de durar mais algum tempo. De qualquer maneira, sugerimos não ultrapassar quarenta e cinco minutos.
13. Em caso de visitas repentinas, estas deverão ser informadas sobre a prática da reunião familiar em torno do Evangelho de Jesus, e deverão ser convidados a participar. Se for o caso, escolher algum assunto que não venha a constrangê-las, de preferência um tema já estudado e comentado por todos. Não devemos nos esquecer de que, talvez, essa visita tenha sido programada pela Espiritualidade, com o propósito de que essa pessoa, ou pessoas, tome contato com os ensinamentos de Jesus.
14. Muitas vezes, algum integrante da família poderá ter a necessidade de se ausentar. Caso isso ocorra, os demais devem continuar a reunião, aproveitando para emitir benéficas vibrações mentais em torno do ausente.
15. Para encerrar a reunião, deverá ser feita uma prece, agradecendo pela oportunidade do encontro e do estudo. E, após, beber a água fluidificada.
IMPORTANTE
Pode ocorrer que um integrante de uma família não encontre interesse por parte dos demais familiares no estudo do Evangelho. Se isso ocorrer, essa pessoas poderá fazê-lo a sós, estudando e vibrando positivamente pelos demais, num local da casa onde não venha a ser interrompido.
4 SOBRE A ÁGUA FLUIDIFICADA
A ÁGUA fluidificada nada mais é do que o somatório da energia magnética do corpo material do Espírito encarnado, disposto a doar de si mesmo em benefício ao semelhante, e da energia fluídica do Espírito desencarnado, que se presta também a esse mister de caridade e de amor. E a água, após essa comunhão de ideias benfazejas, transforma-se em eficaz remédio com propriedades medicamentosas suficientes para reequilibrar funções orgânicas debilitadas, na maioria das vezes, desorganizadas pelo desequilíbrio de nossa própria mente.
A água, como todos sabemos, é um excelente excipiente para carregar e dissolver os mais variados medicamentos da Terra, produzidos pelo homem. Dessa mesma forma, também o é como veículo dessa energia magnetofluídica, a transmitir benefícios ao organismo humano.
Por esse motivo é que recomendamos a colocação de copos com água para cada integrande da reunião e, na prece final, rogar ao Alto que ela seja magnetizada e fluidificada com a finalidade de obtermos os mais variados medicamentos.
Também podemos utilizar a água fluidificada ao nos deitarmos, colocando no quarto, um copo com água e rogando, em nossa prece, que amigos espirituais ali depositem fluidos medicamentosos, o mesmo podendo ser feito à cabeceira de um doente.
5 ESCLARECIMENTOS SOBRE A PRECE
(Textos extraídos do O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII)
(...) A prece é uma invocação; por ela, um ser se coloca em comunicação mental com outro ser ao qual se dirige. Ela pode ter por objeto, um pedido, um agradecimento ou uma glorificação. Pode-se orar por si mesmo ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. (...)
(...) O Espiritismo faz compreender a ação da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento, seja quando o ser chamado vem ao nosso apelo, seja quando nosso pensamento o alcança.(...)
(...) Portanto, quando o pensamento é dirigido a um ser qualquer, sobre a Terra ou no espaço, de encarnado a desencarnado, ou de desencarnado a encarnado, estabelece-se uma corrente fluídica de um para o outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som.
A energia da corrente está em razão do vigor do pensamento e da vontade. Por isso, a prece é ouvida pelos Espíritos em qualquer lugar em que eles se encontrem; os Espíritos se comunicam entre si,
transmitem-nos suas inspirações, os intercâmbios se estabelecem à distância entre os encarnados.
Esta explicação é, sobretudo, para aqueles que não compreendem a utilidade da prece puramente mística e não têm por objetivo materializar a prece, mas tornar seu efeito inteligível, mostrando que pode ter uma ação direta e efetiva. Ela, por isso, não fica menos subordinada à vontade de Deus, juiz supremo em todas as coisas, único que pode tornar sua ação efetiva.
Pela prece, o homem chama, para si, o concurso dos bons Espíritos, que vêm sustentá-lo nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos; adquire, assim, a força moral necessária para vencer as dificuldades e reentrar no caminho reto se dele se afastou, assim como afastar de si os males que atrai por sua própria falta.(...)
QUALIDADES DA PRECE
(...) As qualidades da prece estão claramente definidas por Jesus; quando orardes, diz ele, não vos coloqueis em evidência, mas orai secretamente; não afeteis de muito orar, porque não é pela multiplicidade das palavras que sereis atendidos, mas pela sua sinceridade; antes de orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, porque a prece não será agradável a Deus se não partir de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade; orai, enfim, com humildade como o publicano, e não com orgulho como o fariseu; examinai os vossos defeitos e não as vossas qualidades e, se vos comparardes aos outros, procurai o que há de mal em vós.
EFICÁCIA DA PRECE
(...) Há pessoas que contestam a eficácia da prece e se baseiam no princípio de que, conhecendo Deus nossas necessidades, é supérfluo expô-las. Acrescentam ainda que tudo se encadeando no Universo por leis eternas, nossos desejos não podem mudar os decretos de Deus.(...)
(...) Seria ilógico concluir desta máxima: “o que quer que seja que pedirdes pela prece vos será concedido”, que basta pedir para obter, e seria injusto acusar a Providência porque não cede a todo pedido que lhe é feito, pois ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem. O mesmo ocorre com um pai sábio que recusa ao filho as coisas contrárias aos interesses deste. O homem, geralmente, não vê senão o presente; ora, o sofrimento é útil à sua felicidade futura. Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer uma operação, que deve conduzi-lo à cura.
O que Deus concederá, se se dirige a ele com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. O que concederá, ainda, são os meios de sair por si mesmo da dificuldade, com a ajuda das ideias que são sugeridas pelos bons Espíritos, deixando-lhes, assim, o mérito. Assiste àqueles que ajudam a si mesmos, segundo esta máxima: “Ajuda-te, que o céu te ajudará”, e não àqueles que tudo esperam de um socorro estranho, sem fazer uso das próprias faculdades; mas, geralmente, prefere-se ser socorrido por um milagre, sem nada fazer.(...)
O PODER DA PRECE
(...) O poder da prece está no pensamento; ela não se prende nem às palavras, nem ao lugar, nem ao momento em que é feita. Pode-se, pois, orar em toda parte, a qualquer hora, sozinho ou em comum. A influência do lugar ou do tempo se prende às circunstâncias que podem favorecer o recolhimento. A prece em comum tem uma ação mais poderosa, quando todos aqueles que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm o mesmo objetivo, porque é como se todos gritassem em conjunto e em uníssono; mas o que importa estarem reunidos em grande número, se cada um age isoladamente e por sua própria conta! Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto que duas ou três, unidas em comum aspiração, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força que a das outras cem.(...)
MANEIRA DE ORAR
(...) O primeiro dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar-lhe o retorno à vida ativa de cada dia é a prece. Quase todos vós orais, mas quão poucos sabem orar! Que importa ao Senhor as frases que ligais, maquinalmente, umas às outras, porque disso tendes hábito; é um dever que vos impondes e, como todo dever, pesa-vos.
A prece do cristão, do Espírita, de qualquer culto que seja, deve ser feita desde que o Espírito retomou o jugo da carne. Deve se elevar aos pés da majestade divina com humildade, com profundidade, num arrebatamento de gratidão por todos os benefícios concedidos até esse dia: pela noite que se escoou e durante a qual vos foi permitido, embora inconscientemente, retornar junto de vossos amigos, de vossos guias, para haurir, ao seu contato, mais força e perseverança. Ela deve se elevar humilde aos pés do Senhor, para recomendar-lhe vossa fraqueza, pedir seu apoio, sua indulgência, sua misericórdia. Deve ser profunda, porque é vossa alma quem deve se elevar até o Criador, que deve se transfigurar como Jesus no Tabor, e tornar-se alva e irradiante de esperança e de amor.
Vossa prece deve encerrar o pedido das graças de que tendes necessidade, mas uma necessidade real.
Inútil, pois, pedir ao Senhor, abreviar as vossas provas, dar-vos as alegrias e a riqueza; pedi-lhe para concedervos os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé. Não digais, como ocorre a muitos entre vós:
“Não vale a pena orar, uma vez que Deus não me atende.” Que pedis a Deus na maioria das vezes?
Frequentemente, pensastes em pedir-lhe o vosso melhoramento moral? Oh! Não, muito pouco; mas imaginais antes pedir-lhe o sucesso nos vossos empreendimentos terrestres, e exclamastes: “Deus não se ocupa conosco; se disso se ocupasse, não haveria tantas injustiças”. Insensatos! Ingratos! Se descêsseis ao fundo da vossa consciência, encontraríeis, quase sempre, em vós mesmos, o ponto de partida dos males dos quais vos lamentais. Pedi, pois, antes de todas as coisas, o vosso progresso e vereis que torrente de graças e de consolações se derramará sobre vós.
Deveis orar sem cessar, sem para isso vos recolherdes em vosso aposento, ou ajoelhar nas praças públicas. A prece diária é o cumprimento dos vossos deveres, dos vossos deveres sem exceção, de qualquer natureza que eles sejam. Não é um ato de amor ao vosso Senhor, assistir vossos irmãos numa necessidade qualquer, moral ou física? Não é fazer um ato de reconhecimento, elevar vosso pensamento até ele, quando uma alegria vos chega, um acidente é evitado, mesmo quando uma contrariedade só vos aflora, se dizeis pelo pensamento: Sede bendito, meu Pai! Não é um ato de contrição vos humilhar diante do juiz supremo, quando sentis que falhastes, não fosse senão por um pensamento fugidio, e dizer-lhe: Perdoaime, meu Deus, porque eu pequei (por orgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade); dai-me a força de não mais falhar e a coragem de reparar?
Isso é independente das preces regulares da manhã e da tarde, e dos dias consagrados; mas, como vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem ocasionar nenhuma interrupção aos vossos trabalhos; ao contrário, elas os santificam. E crede bem que um só desses pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai celestial que as longas preces ditadas pelo hábito, frequentemente, sem causa determinada, e às quais a hora convencionada vos lembra maquinalmente.”(...)
6 FUNDAMENTOS DO ESPIRITISMO
1º Crê na existência de um único Deus, força criadora de todo o Universo, perfeita, justa, bondosa e misericordiosa, que deseja a felicidade a todas as suas criaturas.
2º Crê na imortalidade do Espírito.
3º Crê na reencarnação como forma de o Espírito se aperfeiçoar, passando por todas as experiências possíveis, numa demonstração da justiça e da misericórdia de Deus, sempre oferecendo novas chances aos Seus filhos.
4º Crê que cada um de nós possui o livre-arbítrio de seus atos.
5º Crê que cada criatura possui o seu grau de evolução, de acordo com as suas diversas oportunidades de aprendizado, e que nenhuma deixará de evoluir em direção à felicidade, num tempo proporcional à vontade de cada uma.
6º Crê na existência de infinitos mundos habitados, cada um em sintonia com os diversos graus de progresso moral do Espírito, condição essencial para que neles vivam, sempre em constante evolução.
7º Crê na caridade como única forma de evoluir e de ser feliz, de acordo com um dos mais profundos ensinamentos de Jesus: “Amar o próximo como a si mesmo”
8º Crê que o espírita tenha que ser, acima de tudo, Cristão, divulgando o Evangelho de Jesus, através do exemplo pessoal.
9º O Espiritismo é uma Ciência, posto que a utiliza para comprovar o que ensina; é uma Filosofia porque nada impõe, permitindo que os homens analisem e raciocinem sobre o que ela ensina, a fim de que, por si só, cada um tenha sua plena convicção; e, principalmente, é uma Religião porque crê em Deus e em Jesus como diretriz segura e única para a plena felicidade.
7 MENSAGENS
ORAÇÃO NOSSA
Senhor, ensina-nos: a orar sem esquecer o trabalho, a dar sem olhar a quem, a servir sem perguntar até quando, sofrer sem magoar seja a quem for, a progredir sem perder a simplicidade, a semear o bem sem pensar nos resultados, a desculpar sem condições, a marchar para frente sem contar os obstáculos, a ver sem malícia, a escutar sem corromper os assuntos, a falar sem ferir, a compreender o próximo sem exigir entendimento, a respeitar os semelhantes, sem reclamar consideração, a dar o melhor de nós, além da execução do próprio dever, sem cobrar taxas de reconhecimento.
Senhor, fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros, assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas dificuldades.
Ajuda-nos para que a ninguém façamos aquilo que não desejamos para nós.
Auxilia-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será, invariavelmente, aquela de cumprir-Te os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier
(Passos da Vida, Ed. IDE )
PRECE DE CÁRITAS -
Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação; dai luz àquele que busca a verdade, pondo no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito, a consolação; ao doente, o repouso.
Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito, a verdade, à criança, o guia, ao órfão, o pai.
Senhor, que a Vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.
Piedade, Senhor, para aqueles que não vos conhecem; esperança para aqueles que sofrem. Que a Vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem, por toda parte, a paz, a esperança e a fé.
Deus, um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão; um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh! poder, oh! bondade, oh! beleza, oh! perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa misericórdia.
Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde deve refletir a Vossa Imagem.
1 Início do século XX. Nas regiões mais elevadas da Espiritualidade, acontecia importante reunião. Encontro significativo. Decisões de relevância. Presença marcante de Allan Kardec.
2 Discutia-se a volta do apóstolo espiritista às lides terrenas. Época difícil na Doutrina Espírita. Controvérsia estéril entre os adeptos. Ideia de exclusividade da investigação científica e filosófica. O cientificismo, atuante no meio doutrinário, negava o aspecto religioso.
3 Urgia, pois, o testemunho do Espiritismo, comprometido com as lições da Boa Nova, semeando no coração dos homens o amor e a caridade.
4 Clima de emoção. Recolhimento. Expectativa.
5 Venerável preposto de Jesus, envolto em luz alvinitente, dirigiu-se a Kardec e falou com bondade.
— Chegou a hora, meu filho…
6 O Codificador respondeu firme e respeitoso:
— Estou pronto e confiante.
7 Consta dos registros do mundo espiritual que ocorreu, a partir daí, sublime e emocionante diálogo, do qual transcrevemos, palidamente, alguns fragmentos:
8 — Renascerás em condições adversas…
— Obedecerei à vontade do Senhor.
9 — Começarás muito novo, entre aflições e dificuldades, e trabalharás com sacrifício e renúncia por longo tempo…
— Dedicarei cada minuto à Seara do Bem.
10 — Não possuirás títulos acadêmicos…
— O único título que almejo é o de fiel servidor do Cristo.
11 — Encontrarás desconfianças e agressões…
— Buscarei na fé e na humildade a força para resistir.
12 — Terás a dor por companhia constante…
— Saberei aceitá-la com o amparo do Alto.
13 — Companheiros não te entenderão e se voltarão contra ti…
— Cumprirei meu dever e guardarei a consciência em paz.
14 — Não farás nada por ti mesmo; serás apenas instrumento…
— Agradecerei a Deus a oportunidade de servir.
15 — Não gozarás as alegrias e o aconchego do lar constituído…
— A Humanidade será minha família.
16 — Assumirás espinhosa missão no desdobramento da Codificação Espírita…
— Serei leal aos princípios doutrinários, ciente de que o Espiritismo é o Consolador prometido por Jesus.
— A tarefa te exigirá devotamento e abnegação…
— Não hesitarei em viver em plenitude o Evangelho e a Doutrina Espírita.
O iluminado benfeitor interrompeu o colóquio e, após elucidativos comentários sobre a nova etapa de trabalho, rogou as bênçãos do Senhor ao missionário de partida.
Seguiram-se calorosas demonstrações de solidariedade e, no final da primeira década deste século, em doce atmosfera de esperança, Allan Kardec retornou ao Plano físico, renascendo em pequena cidade do interior brasileiro.
Hilário Silva
Página psicografada pelo médium Dr. Antônio Baduy Filho, na reunião da 34ª Confraternização de Mocidades e Madurezas Espíritas do Triângulo Mineiro — COMMETRIM, na noite de 31-10-1997, em Ituiutaba - Minas Gerais. Publicada pelo jornal “O Espírita Mineiro” n º 242, Abril / Maio de 1998.
fonte: https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Cds/Cds17.htm
“Dize-me o que pensas, e lhe direi com quem andas”. Allan Kardec.
Um assunto muito atual não só no meio espírita como na sociedade em geral é a alteridade, ou seja, “a qualidade do que é outro”.
É na alteridade que se desenvolve, é nas diferenças de qualidades com o outro que se aprende, é na variedade de aptidões que se complementa uma tarefa.
Aceitar, conviver, aprender e amar a diversidade denota a presença de um ser mais evoluído, seja individual ou coletivamente.
O predomínio que a vaidade e o orgulho ainda exercem sobre as pessoas impede, muitas vezes, de crescerem somando qualidades e esta atitude facilita o acesso dos Espíritos inferiores para a influenciação negativa, exacerbando as mazelas internas de cada um, provocando embates, cisões, rupturas no trabalho.
Quando isto ocorre nas Casas Espíritas, o prejuízo se torna inda maior, porque ali é o local onde a causa única e suprema deve ser o desenvolvimento da caridade e da tolerância como ferramenta de renovação íntima individual.
Allan Kardec, no seu discurso de encerramento do ano social da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas do ano de 1858/59, tecia comentários de outras sociedades que surgiram desejando rivalizar com aquela a qual ele pertencia.
Contava-se de sociedades com grandes números de participantes, com muitos recursos financeiros, sendo para ele um motivo de regozijo, ressaltando, apenas, que elas tivessem uma “unicidade de sentimentos para frustrar as influências de maus Espíritos e consolidar a sua existência”.
Naquela época, nos Estados Unidos, na Europa, especialmente em Paris, ocorria o surgimento de inúmeras reuniões íntimas, como outrora fora a própria Sociedade Parisiense, fato normal devido ao então crescente interesse pelos assuntos espíritas e ao surgimento de vários médiuns.
Denotavam-se os mais variados resultados possíveis, desde reuniões sérias com resultados notáveis, até de fanfarronices e brincadeiras fúteis, de acordo com os interesses e intenções de cada uma.
A despeito disso, Kardec ressaltou que poucas constituíam uma sociedade propriamente dita, pois lhes faltavam condições de vitalidade em razão do escasso número de componentes, de sua estabilidade, permanência e persistência.
A primeira condição, preconizada pelo mestre francês, é a de homogeneidade de princípios e maneira de ver.
Toda sociedade formada de elementos heterogêneos traz em si o germe da dissolução, podendo considerá-la natimorta.
Mais adiante o Codificador explica a homogeneidade como comunhão de pensamentos.
Sem a calma e o recolhimento, dificilmente os bons Espíritos se apresentarão, pois não encontrarão as condições necessárias para dar assistência à sociedade.
Eles desejam ardentemente esclarecer para o bem, não participando em reuniões onde impera o espírito da oposição sistemática, da discórdia e da controvérsia.
A homogeneidade propagada por Kardec é a de ideais nobres, da vivência ético-moral e do estudo doutrinário com seriedade.
As diferentes maneiras de agir, de conduzir e de pensar são saudavelmente administradas para o crescimento do grupo e dos seus componentes, quando não comprometem o corpo doutrinário.
Neste ideal, Bezerra de Menezes levanta a bandeira da unificação não como a uniformização de procedimentos, mas como a união afetiva em torno da prática da moral de Jesus à luz dos esclarecimentos espíritas.
Para unir deve-se ter o trabalho consistente, a ação correta, a vivência do discurso cristão.
São Luís, Espírito protetor da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, fornece o meio infalível para não temer os conflitos: “Compreendei-vos e amai-vos”.
O trabalho da compreensão exige caridade e abnegação. “Que o amor ao próximo esteja inscrito em nossa bandeira e seja a nossa divisa”.
Kardec considerava todas as outras sociedades como irmãs e jamais como concorrentes.
A inveja, o ciúme e a rivalidade indicam a assistência dos maus Espíritos e um direcionamento equivocado.
A boa intenção, a benevolência, a vontade de servir e o pensamento reto revelam a natureza superior dos Espíritos que presidem a sociedade, procurando conduzi-la, por meio dos homens que a servem, ao trabalho no bem.
Aos grupos que se sintam melindrados pelo crescimento de outro, Kardec instiga que depende somente dele não ser ultrapassado.
A Doutrina Espírita, sendo acessível a todos, depende do esforço próprio, do trabalho em equipe e da dedicação para que a Sociedade evolua e cumpra o seu papel na comunidade.
Neste particular, outras poderão igualar-se, tanto melhor, pois serão irmãos que crescem juntos.
O laço de união dos homens de bem, sejam quais forem as divergências, é o amor ao bem, a abnegação, a abjuração de todo sentimento de inveja e ciúme.
Na alteridade, em vista de diversidade humana, importa seu enfoque prático de convivência fraterna.
O codificador encerra seu discurso com a convicção de que a finalidade do Espiritismo é melhorar aqueles que o compreendem, buscando através do exemplo demonstrar a vivacidade da Doutrina e a sua praticidade na vida cotidiana.
“Numa palavra, sejamos dignos dos bons Espíritos se quisermos que eles nos assistam. O bem é uma couraça contra a qual virão sempre quebrar-se as armas da malevolência”
Referências:
KARDEC, Allan. Revista Espírita 1859. Sobradinho, DF: EDICEL, Discurso de encerramento do ano social (1858-1859), p. 196.
Novo Dicionário Aurélio.
Fonte: https://www.oconsolador.com.br/ano2/65/luis_roberto.html
A visão espírita sobre a energia negativa no lar está intrinsecamente ligada à ideia de que tudo é energia, incluindo nossos pensamentos, sentimentos e o ambiente que nos cerca.
Segundo essa perspectiva, a energia negativa pode se manifestar em um ambiente de diversas formas, como pensamentos e emoções que se revelam em discussões, ressentimentos e sentimentos negativos, que podem gerar uma vibração densa no ambiente.
Outra forma é a presença de espíritos. Espíritos desencarnados podem se ligar a determinados locais, influenciando o ambiente com suas energias.
Já os objetos carregados de histórias e emoções negativas também podem influenciar o ambiente.
E como identificar a energia negativa no lar? Os sinais da presença de energia negativa podem ser variados e subjetivos, mas alguns dos mais comuns incluem desconforto como mal-estar, angústia ou irritabilidade ao estar em determinados ambientes.
Outra forma de identificar a energia negativa do lar é a dificuldade para dormir, como insônia, pesadelos ou despertar com sensação de cansaço.
Doenças frequentes como aumento da frequência de gripes, alergias ou outras doenças é outro sinal, além de problemas de relacionamento como discussões frequentes e dificuldade em manter a harmonia familiar.
A crença em uma possível relação entre objetos antigos e energia negativa é bastante comum em diversas culturas e tradições espirituais.
Objetos antigos carregam consigo histórias e emoções das pessoas que os possuíram anteriormente. Se essas emoções eram negativas (sofrimento, raiva, etc.), elas podem, em teoria, permanecer vinculadas ao objeto.
De acordo com a doutrina espírita, espíritos desencarnados podem se apegar a determinados objetos, especialmente aqueles que possuem um valor sentimental ou histórico para eles.
Em alguns casos, objetos antigos podem ter absorvido energias do ambiente ao longo do tempo, incluindo energias negativas.
É importante ressaltar que nem todos os objetos antigos carregam energia negativa.
A maioria dos objetos antigos é neutra e não representa nenhum tipo de ameaça. A percepção da energia negativa é subjetiva: o que uma pessoa considera energia negativa, outra pode não sentir.
A fé e a crença desempenham um papel importante. A crença na existência de energia negativa pode amplificar a percepção dela.
Cada objeto que permanece parado em sua casa carrega uma energia estagnada que pode bloquear o fluxo natural de abundância e bem-estar.
Ao desapegar do que não é mais útil para você, você abre espaço para novas possibilidades e permite que essas coisas encontrem propósito na vida de outra pessoa.
A doação não é apenas um ato de generosidade, mas também um movimento poderoso de energia: você libera o que já cumpriu seu papel e cria espaço para que o universo traga o que verdadeiramente ressoa com sua jornada atual.
E como se limpa a energia negativa do lar?
A limpeza energética do lar é um processo que visa harmonizar o ambiente e eliminar as vibrações negativas.
Algumas práticas comuns incluem:
Oração e meditação: A oração e a meditação são poderosas ferramentas para elevar a vibração do ambiente e atrair energias positivas.
Queima de ervas: Ervas como sálvia, alecrim e palo santo são utilizadas para purificar o ambiente e afastar energias negativas.
Limpeza física: Manter o ambiente limpo e organizado é fundamental para a circulação de energias positivas.
Cristais: Alguns cristais, como o quartzo branco e a ametista, são conhecidos por suas propriedades purificadoras.
Visualização: A visualização de luz branca envolvendo o ambiente pode ajudar a eliminar energias negativas.
Intuição: Confie em sua intuição. Se você sente que um objeto não é bem-vindo em sua casa, respeite essa sensação.
Em resumo, a relação entre objetos antigos e energia negativa é um tema complexo e cheio de nuances.
A crença nessa associação pode ter um impacto significativo em nossa percepção do mundo e em nossas decisões.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Em torno da mediunidade, Chico passava por poucas e boas. É, não é. Viu, não viu. E o médium sofria, por vezes, longas irritações, e se explicava sem ser compreendido.
Por isso, à hora da prece, achava-se quase sempre, desanimado e aflito.
Certa feita, o Espírito de Dona Maria João de Deus, sua mãe desencarnada, compareceu e aconselhou: - Meu filho, para curar essas inquietações você deve usar a Água da Paz.
O Médium, satisfeito, procurou o medicamento em todas as farmácias de Pedro Leopoldo.
Não o encontrou. Recorreu a Belo Horizonte. Nada. Ao fim de duas semanas, comunicou à genitora desencarnada o fracasso da busca.
Dona Maria sorriu e informou: - Não precisa viajar em semelhante procura. Você poderá obter o remédio em casa mesmo. A Água da Paz pode ser a água do pote.
Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora, nem a engula.
Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz, banhando a língua.
O Médium baixou então, os olhos, desapontado. Compreendera que a mãezinha lhe chamava o espírito à lição da humildade e do silêncio.
do livro “Lindos Casos de Chico Xavier” de Ramiro Gama
Justo que você peça a felicidade.
Rogue, porém, ao Senhor, igualmente, a necessária compreensão para aproveitá-la, semeando felicidade em seu caminho.
Cultive o contentamento de dar.
Não azede, entretanto, os seus benefícios com a exigência da gratidão.
Estime a sua independência.
Respeite, todavia, a liberdade dos semelhantes.
Fale como julgue melhor.
Ouça, porém, com apreço, a palavra do próximo, qualquer que ela seja.
Considere os seus triunfos.
Não desmereça, contudo, as conquistas alheias.
Reconforte os irmãos em prova.
Compartilhe, no entanto, igualmente, a alegria daqueles que se vejam em condições mais favoráveis que as nossas.
Colabore na construção do bem.
Mas não crie dificuldades na obra a realizar.
Perdoe aos adversários.
Desculpe, todavia, aos amigos quando aparentemente lhe firam o coração.
Exalte o bem.
Entretanto, não destaque o mal.
Sofra as lutas naturais do caminho a percorrer.
Ofereça, porém, o seu melhor sorriso, por raio de sol da sua fé, para que a sombra passageira de sua inquietação não aumente a intranquilidade dos outros.
Aconselha a Regra Áurea: “faça ao próximo aquilo que você deseja lhe seja feito”.
Isso, no fundo, quer igualmente dizer que, se você deseja auxílio eficiente, tanto quanto possível dê auxílio completo aos outros, sem desajudar a ninguém.
do livro “Mensagens de Chico Xavier no Anuário Espírita – pelo Espírito de André Luiz
Uma discussão antiga é sobre a vida pretérita dos animais. Eles são agrupados no mundo espiritual por afinidade, já que um cão e um gato teriam problemas por mal distinguirem a mudança da dimensão.
Só os que têm o privilégio de possuírem uma boa vidência podem notar a presença de animais à sua volta. Eles transitam facilmente entre uma dimensão e outra.
Ao morrer, o animal torna-se inconsciente antes que note sua morte, passando para dimensão espiritual sem traumas. E já que falamos em morte (material, é claro), chama atenção a resistência dos animais.
Esta resistência cai proporcionalmente à quantidade de energias pesadas e perturbadoras que são absorvidas por ele num ambiente.
Ao sinal de debilidade física e emocional, os espíritos que vivem na escuridão aproximam-se para sugar a energia vital contaminada por energias negativas.
Os animais que vivem na companhia dos humanos adoecem em função de suas energias, pensamentos e atitudes. E também absorvem grande parte da energia do ambiente.
Quando reencarnam em determinado lar, os animais já sabem o que vão enfrentar do ponto de vista energético.
A presença deles purifica o ambiente, mas os torna sensíveis, adoecendo facilmente, enquanto livram seus donos de perder a saúde de modo quase que heroico.
Seus donos, contudo, percebem que seus animais e estimação estão debilitados e lhes dão carinho, fazendo com que a saúde do animal possa retornar.
É cada vez mais comum as terapias feitas com animais no auxílio a pacientes com disfunções congênitas e neurológicas.
É excepcionalmente salutar o contato com a energia amorosa do animal, já que eles preenchem os espaços vazios dos campos energéticos do paciente.
Os cavalos e cães distribuem sempre suas energias, que são renovadas imediatamente. Esses animais são evoluídos e participam voluntariamente para ajudar o ser humano.
Acredita-se que o animal não possui livre-arbítrio, logo, não evolui por sua vontade e, sim, pela organização espiritual.
Os animais não agem só por instinto, mas são dotados de inteligência limitada. Os rouxinóis e as andorinhas jamais construíram seus ninhos de maneira diferente dos seus ancestrais.
Um ninho de pardais de milênios atrás é semelhante ao ninho de pardais de hoje. É sempre o mesmo, feito nas mesmas condições e pelo mesmo sistema de entrelaçamento de capins e pauzinhos.
E os insetos? Organismos como insetos podem levar horas entre desencarne e reencarne. Cães, gatos de três a quatro dias, baleias e cavalos, por serem de porte maior, podem levar meses para o tempo de miniaturização.
Para passarem de uma espécie para outra, passam por uma fase intermediária como seres espirituais da floresta, zelando pelos animais.
Assim, poderão retornar em uma espécie mais evoluída, chegando cada vez mais próximo do convívio com o ser humano.
Os animais são naturalmente videntes. Eles veem espíritos sem distinguir em que dimensão eles estão, pois transitam com facilidade nas diversas dimensões. Eles não têm mediunidade, pois para tal têm que ter consciência.
Os animais veem espíritos, sim! Há evidências de que os espíritos podem se tornar visíveis e tangíveis para os animais e que estes compreendem certos pensamentos do homem.
Creio firmemente que alguns animais pressentem a morte de entes queridos e a morte deles próprios.
A vida dos animais na dimensão espiritual sob a ótica espírita vem sendo exaustivamente estudada em várias obras, como 'Todos os animais merecem o Céu' e 'Os animais conforme o Espiritismo', através de Allan Kardec com análises de Marcel Benedeti, Ernesto Bozzano, Eurípedes Kuhl e Vitus Droscher.
Uma coisa é certa: com relação ao animal reencarnar perto da família que ama é quase sempre o que acontece.
Átila Nunes
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Na visão espírita, os mentores espirituais (também chamados de guias ou protetores) utilizam a intuição, a sintonia vibratória e sinais sutis para se comunicar.
Como eles respeitam o livre-arbítrio e não possuem corpo físico, essa aproximação ocorre de forma discreta, agindo diretamente no nosso campo mental e energético.
Abaixo estão os principais sinais de que seu mentor está tentando entrar em contato com você:
1. Sinais Mentais e Intuitivos
Pensamentos repentinos: ideias ou soluções para problemas que surgem do nada, com uma clareza que não parece vir de você.
Intuição forte (Sexto Sentido): um aviso interno persistente dizendo "faça isso" ou "não vá por ali", trazendo uma certeza inexplicável.
Lembrança espontânea: sentir uma vontade repentina de rezar, elevar o pensamento ou lembrar-se de um mentor ou mentor específico.
2. Sinais Físicos e Fluídicos
Arrepio suave e agradável: sensação de um calafrio leve na pele, geralmente acompanhada de um sentimento de paz e bem-estar.
Mudança no ambiente: sentir um aquecimento súbito no peito ou uma leve brisa fresca, mesmo em locais fechados.
Aromas suaves: sentir um perfume floral (como rosa ou jasmim) ou de incenso sem que haja nenhuma fonte física por perto.
3. Sinais durante o Sono
Sonhos lúcidos e instrutivos: sonhar que está conversando com alguém sábio, recebendo conselhos ou visitando lugares calmos.
Emancipação da alma: acordar com a nítida sensação de que passou a noite estudando ou trabalhando no plano espiritual, mesmo sem lembrar dos detalhes.
4. Sincronicidades no Cotidiano
Mensagens repetidas: encontrar o mesmo conselho, frase ou tema espiritual várias vezes ao dia em livros, vídeos ou conversas alheias.
Ajuda oportuna: A sensação de que "coincidências" salvaram você de um imprevisto ou abriram uma porta exatamente no momento certo.
Como facilitar esse contato?
Os mentores espirituais agem pela Lei de Afinidade. Para sintonizar com eles, você pode adotar as seguintes práticas:
Eleve o padrão vibratório: cultive pensamentos de otimismo, perdão e caridade.
Pratique a prece e a meditação: momentos de silêncio mental funcionam como uma "ligação telefônica" para o plano espiritual.
Estude o Espiritismo: compreender os mecanismos da mediunidade ajuda a decifrar as inspirações cotidianas sem misticismo exagerado.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Para nós, objetos e roupas não possuem vida própria nem aprisionam o espírito, mas podem reter a energia emocional de quem os utilizou ou gerar apego excessivo.
O desapego e a caridade são os caminhos ideais para lidar com esses pertences, especialmente após o falecimento de alguém.
O apego exagerado a objetos gera uma ligação que pode dificultar o processo evolutivo, tanto de quem guarda, por prender-se à matéria, quanto de quem partiu, por manter-se ligado às coisas da Terra.
Roupas e objetos absorvem as vibrações das pessoas, mas isso não é permanente nem prejudicial se houver uma postura de desprendimento e renovação.
É aceitável manter algumas lembranças com ternura (como fotos ou objetos especiais), desde que não impeçam a vida de seguir ou transformem o ambiente em um santuário de dor.
Guardar as roupas e objetos de pessoas falecidas pode trazer consequências. Depende da intenção e do estado emocional de quem guarda.
O acúmulo motivado pelo sofrimento pode gerar prejuízos espirituais para ambos os lados.
Consequências para o espírito que partiu:
Retenção na matéria: O apego dos encarnados aos objetos atrai o espírito de volta ao ambiente terreno.
Perturbação espiritual: Ver os familiares chorando sobre seus antigos pertences causa angústia e dificulta a aceitação da nova realidade.
Atraso na evolução: A fixação mental nas coisas que deixou para trás atrasa o processo de adaptação no plano espiritual.
Consequências para quem ficou (encarnados):
Estagnação Fluídica: Roupas e objetos guardados por muito tempo acumulam as vibrações de tristeza e saudade, pesando o ambiente.
Sintonias Negativas: O excesso de dor cria um "portal" de pensamentos repetitivos, atraindo espíritos ainda muito apegados à matéria.
Prisão ao passado: transformar o quarto ou os pertences em um "santuário intocável" impede a pessoa de viver o presente e seguir em frente.
A doação de roupas e bens em bom estado para quem precisa é vista como um ato de amor ao próximo e de libertação material.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Na visão da estudiosa doutrina, Fernanda Cristofoli, acordar sempre no mesmo horário de madrugada está diretamente ligado à emancipação da alma e à interação com o mundo espiritual.
O sono não é apenas um repouso físico, mas é o momento em que o espírito recupera parte de sua liberdade e se relaciona com outros espíritos.
Aqui estão os principais motivos:
1. Afinidade e sintonia vibratória
Atividade no invisível: durante o sono, seu espírito se desprende do corpo físico, prestando socorro espiritual.
O despertar: o retorno abrupto ao corpo — que faz você acordar — acontece quando há um choque de vibrações ou quando a atividade espiritual programada para aquela noite termina. Se você acorda sempre no mesmo horário, significa que seu espírito estabeleceu uma rotina de trabalho ou aprendizado no além.
2. Comunicação com mentores ou protetores
Avisos e insights: seu espírito protetor (Anjo da Guarda) pode estar aproveitando o silêncio da madrugada para transmitir intuições, alertas ou acalmar o seu coração. Estudo coletivo: é comum que grupos de espíritos encarnados se reúnam durante o sono para estudar em colônias espirituais. O horário fixo reflete o compromisso assumido pelo seu espírito antes de dormir.
3. Necessidade de intercessão (prece)
Apelo de socorro: espíritos necessitados ou desencarnados familiares que guardam afinidade com você podem se aproximar em busca de vibrações de paz.
O chamado: se você acorda com uma sensação de inquietação, pode ser um chamado silencioso para que você faça uma prece por alguém, funcionando como um canal de luz para quem precisa.
4. Repercussão de vidas passadas ou obsessão
Memórias do passado: o horário pode estar conectado a algum trauma ou evento marcante de uma encarnação anterior que seu espírito revive durante o desprendimento pelo sono.
O que fazer ao acordar?
A recomendação fundamental é elevar o pensamento. Não sinta medo. Faça uma prece sincera, peça proteção para o seu lar, emita pensamentos de luz para a humanidade e peça aos benfeitores espirituais que ajudem a restabelecer o seu sono.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Trata-se de um transtorno de somatização.
Definição: Problemas de saúde física que surgem sem uma alteração orgânica inicial, mas geram dores e sintomas reais no corpo.
Ligação corpo-mente: O sistema nervoso, o sistema imune e as emoções se conectam, transformando angústia psicológica em reações orgânicas.
Sintomas comuns: Dores de cabeça, problemas no estômago, palpitações, falta de ar e fadiga crônica.
Principais Causas Mentais e Emocionais
As causas variam para cada pessoa, mas os gatilhos mentais mais frequentes incluem:
Estresse crônico: A pressão contínua no trabalho, nos estudos ou nas finanças mantém o corpo em estado de alerta perpétuo.
Traumas não resolvidos: Experiências negativas da infância, perdas ou episódios de violência reprimidos no inconsciente.
Sentimentos reprimidos: Raiva, mágoas, culpa ou tristeza profunda que a pessoa não consegue expressar verbalmente.
Cobrança excessiva: O perfeccionismo e a autocobrança rígida geram ansiedade constante e desgaste físico.
Conflitos de relacionamento: Problemas familiares, amorosos ou profissionais mal resolvidos.
Para os reencarnacionistas, a intuição é o mecanismo sutil de percepção da alma, atuando como uma ponte que conecta o homem ao seu próprio passado espiritual e ao plano invisível.
Diferente do pensamento puramente racional, a intuição surge de forma imediata na mente, funcionando como um guia regulador para o progresso moral e intelectual do indivíduo.
Duas vertentes principais dividem a origem desse fenômeno:
1. Origem Anímica (a voz da própria alma)
Bagagem de vidas passadas: o espírito encarnado não perde os conhecimentos e valores morais conquistados em reencarnações anteriores.
Emancipação da alma: durante o sono físico ou em momentos de desprendimento (desdobramento), o espírito entra em contato com a realidade espiritual.
Ao retornar ao estado de vigília, essa vivência emerge no consciente em forma de ideias inatas ou pressentimentos.
Mecanismo de evolução: funciona para que a pessoa não precise recomeçar o aprendizado do zero a cada nova existência terrena.
2. Origem Mediúnica (a influência dos espíritos)
Telepatia espiritual: ocorre quando espíritos desencarnados transmitem seus pensamentos e vibrações diretamente à mente do encarnado.
Inspiração dos guias: os mentores e protetores espirituais utilizam esse sopro discreto para sugerir caminhos seguros, consolar ou orientar em momentos de decisões difíceis, respeitando sempre o livre-arbítrio.
Ação nos médiuns: a intuição é a base de processos de psicografia e psicofonia conscientes, onde o comunicante atua no campo mental do médium.
E como diferenciar a intuição dos próprios desejos? Usar o discernimento para identificar a qualidade da intuição captada, baseando-se na Lei de Afinidade.
Pensamentos elevados atraem bons espíritos; mentes focadas no egoísmo ou no medo sintonizam com energias de menor evolução.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
As características de uma pessoa narcisista refletem a sua forma de pensar, agir e reagir no dia a dia. Os traços mais comuns são os seguintes:
Conversa unilateral: interrompe os outros com frequência e sempre direciona o assunto de volta para si mesmo. O narcisista sempre busca por elogios, pescando elogios sutilmente e demonstra desconforto quando outra pessoa recebe atenção ou crédito.
Gargalo de mérito: toma para si o crédito pelo trabalho em equipe, mas culpa os outros quando algo dá errado. O narcisista perde também, o interesse rapidamente por amigos ou parceiros quando eles deixam de servir aos seus interesses.
Gaslighting: distorce os fatos e mente para fazer a outra pessoa duvidar da própria memória, sanidade ou percepção. Também demonstra afeto ou simpatia apenas quando recebe algo em troca ou quando a outra pessoa concorda com tudo.
Vulnerabilidade oculta: esconde uma autoestima extremamente frágil atrás de uma fachada de extrema confiança e segurança. Outra característica é o rancor prolongado: guarda mágoas por muito tempo e planeja vinganças por ofensas reais ou puramente imaginárias. Não pede desculpas sinceras e costuma usar a frase "desculpe se você se sentiu assim" para transferir a culpa.
Para nós, reencarnacionistas, o narcisismo é classificado como uma grave enfermidade da alma, sendo o reflexo direto das duas maiores chagas da humanidade o orgulho e a vaidade elevados ao extremo.
Sob a ótica da imortalidade da alma e das múltiplas existências, o comportamento narcisista aponta para um espírito ainda imperfeito, profundamente iludido pelas aparências da matéria e focado exclusivamente no próprio ego.
São espíritos endurecidos na inteligência. São espíritos que desenvolveram uma capacidade intelectual notável em vidas passadas, mas negligenciaram o progresso moral e o desenvolvimento da empatia.
Vampirismo emocional e psíquico: na ânsia de alimentar sua ilusão de grandeza, o narcisista busca sugar a energia psíquica, a alegria e a autoestima daqueles ao seu redor. O narcisista tem obsessão pelo reflexo (ilusão da matéria).
Assim como no mito grego, o indivíduo fica aprisionado na própria imagem, esquecendo-se de sua real natureza espiritual e dos compromissos assumidos antes de reencarnar. A convivência com o narcisista testa o limite alheio, pois ele desconhece a gratidão e enxerga os outros apenas como ferramentas para benefício próprio.
O Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) não anula a responsabilidade moral do ser. A reencarnação atual funciona tanto como uma consequência de abusos do passado quanto como uma oportunidade terapêutica e corretiva da própria consciência.
E qual é o remédio espiritual?
O cultivo da humildade: abraçar a humildade voluntariamente é a antítese e a única terapia definitiva contra o narcisismo. O desenvolvimento da caridade: sair do autoisolamento egoísta e passar a servir ao próximo sem esperar aplausos. O autoconhecimento legítimo: trocar a falsa autoimagem grandiosa pelo reconhecimento sincero de suas imperfeições reais.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Uma síndrome dolorosa crônica e não inflamatória que causa dores generalizadas por todo o corpo, além de fadiga e distúrbios do sono.
Você pode encontrar orientações detalhadas e buscar especialistas no site da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Principais Sintomas
Dor generalizada: Sensação de dor difusa e contínua nos músculos, tendões e articulações por mais de três meses.
Fadiga extrema: Cansaço excessivo e falta de disposição para as tarefas diárias.
Sono não reparador: Dificuldade para dormir ou sono que não descansa, fazendo a pessoa acordar exausta.
Névoa mental: Alterações de memória, foco e atenção.
Sensibilidade aumentada: Incômodo exagerado ao toque leve (alodínia) ou à compressão muscular.
Causas e Fatores de Risco
Origem multifatorial: Envolve uma desregulação na forma como o sistema nervoso central processa os sinais de dor.
Gatilhos: Pode ser desencadeada por traumas físicos, infecções graves ou estresse emocional prolongado.
Genética: Tendência a ocorrer em pessoas da mesma família.
Perfil: Acomete muito mais mulheres do que homens, geralmente entre os 30 e 60 anos.
Opções de Tratamento
Exercícios físicos: Práticas regulares, como caminhada, hidroginástica ou musculação, são fundamentais para reduzir as dores e melhorar o sono.
Acompanhamento médico: O Manual MSD destaca que reumatologistas costumam indicar remédios específicos para regular os neurotransmissores da dor.
Psicoterapia: A terapia cognitivo-comportamental ajuda no enfrentamento do estresse e do impacto emocional da condição.
Segundo Chico Xavier, Exu não é o “demônio” ou uma força do mal, mas sim, um espírito em evolução que atua como trabalhador, protetor e guardião da lei nas regiões espirituais mais densas.
A relação entre Exu, Chico Xavier e a Doutrina Espírita se estruturada em quatro pilares fundamentais:
1. Respeito absoluto à Umbanda
Chico Xavier sempre demonstrou profundo respeito pelas religiões de matriz africana.
Ele sempre afirmou que a Umbanda tinha legitimidade espiritual: os praticantes da Umbanda veneram a Deus e aos seus emissários utilizando outros nomes.
Chico defendia que o bem e a caridade se manifestam em qualquer lugar onde o nome de Deus seja pronunciado com sinceridade.
2. Equivalência de conceitos
É verdade que Allan Kardec e André Luiz não utilizavam a palavra "Exu" em seus livros fundamentais, mas descrevem perfeitamente o papel dessas entidades por meio de outras nomenclaturas.
O que a Umbanda chama de Exu, a literatura espírita clássica chama de espíritos protetores, sentinelas ou operários que trabalham nas zonas de sofrimento (como as regiões umbralinas). São espíritos protetores e guardiões.
São espíritos focados na disciplina, na ordem e no cumprimento das leis divinas. Eles contêm excessos, desfazem trabalhos de magia negativa e auxiliam no resgate de almas perdidas nas trevas.
3. A Visão dos mentores (Emmanuel)
O mentor espiritual de Chico Xavier, Emmanuel, sempre orientou a que não houvesse preconceito com as linhas de trabalho espiritual.
Na visão trazida pela literatura psicografada, esses espíritos não são perfeitos ou totalmente puros, mas são voluntários dedicados à caridade prática.
Eles utilizam a densidade fluídica que possuem para atuar de forma mais direta e próxima à crosta terrestre, servindo de "escudo" contra investidas obsessivas graves.
4. Desmistificação do "Mal"
Chico Xavier ajudou a quebrar o preconceito histórico que associava falsamente Exu à figura do diabo judaico-cristão.
Para nós, reencarnacionistas, o diabo não existe como um ser criado para o mal eterno. Existem apenas espíritos imperfeitos que, mais cedo ou mais tarde, irão evoluir.
Exu se enquadra nessa categoria de espíritos em franca evolução que escolheram o caminho do trabalho e do amparo ao próximo para resgatar o próprio passado.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) traz três pilares principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade.
Estes são os sintomas oficiais:
Sintomas de Desatenção: este grupo envolve a dificuldade de direcionar, gerenciar e manter o foco mental.
Erros por descuido: falta de atenção a detalhes em tarefas escolares ou profissionais.
Foco instável: grande dificuldade para manter a atenção em conversas, leituras ou palestras longas.
Audição "desligada": parecer não ouvir quando alguém fala diretamente com a pessoa.
Tarefas incompletas: deixar deveres, relatórios ou obrigações diárias pela metade.
Desorganização: sérios problemas para gerenciar o tempo, prazos e objetos pessoais.
Evitação mental: rejeitar ou adiar atividades que exijam esforço mental prolongado.
Perda de objetos: sumir frequentemente com chaves, carteiras, documentos ou materiais de estudo.
Distração fácil: perder o foco facilmente com qualquer estímulo externo ou pensamentos avulsos.
Esquecimento: esquecer compromissos, contas a pagar ou tarefas rotineiras básicas.
Sintomas de Hiperatividade e Impulsividade
Dificuldade em ficar sentado: levantar-se em momentos onde se espera que permaneça parado.
Movimento inadequado: correr ou subir em coisas (em crianças) ou sentir uma forte pressa interna (em adultos)
Barulho: incapacidade de brincar ou se envolver em atividades de lazer de forma silenciosa. Inquietação física: remexer as mãos, batucar os pés ou se contorcer na cadeira.
"Motor ligado": agir como se estivesse movido por um motor, sem conseguir relaxar.
Fala excessiva: falar demais de forma ininterrupta.
Respostas precipitadas: responder a uma pergunta antes mesmo que ela seja concluída.
Impaciência: grande dificuldade para esperar a sua vez em filas ou jogos.
Interrupção: intrometer-se ou interromper conversas e atividades alheias.
Na visão espírita, o TDAH é compreendido como uma condição orgânica e temporária do corpo físico, ligada às necessidades de aprendizado, evolução e reajuste espiritual do espírito reencarnado.
Prova, Expiação e Evolução
Necessidade do corpo: entendemos que o cérebro físico é o instrumento de manifestação da mente. Alterações no neurodesenvolvimento refletem limitações ou características biológicas necessárias para o momento evolutivo daquele espírito.]
Compensações espirituais: desafios como a impulsividade e a desatenção são encarados como campo de exercício para a paciência, a resiliência e a reforma íntima, tanto para quem vivencia o transtorno quanto para familiares e educadores.
A Importância do Tratamento Médico
Ciência e fé caminhando juntas: o tratamento médico convencional (psicológico, psiquiátrico e medicamentoso quando indicado por profissionais) é fundamental e indispensável.
Apoio complementar: O atendimento espiritual nos centros espíritas (como o passe e a fluidoterapia) auxilia no equilíbrio energético e emocional, mas nunca substitui a medicina da Terra.
Sensibilidade e Mediunidade
Mente acelerada: Muitas vezes, a grande carga de energia, a criatividade intensa e a alta percepção do ambiente em pessoas com TDAH são confundidas ou associadas a uma maior sensibilidade mediúnica.
Educação da mente: O foco espírita está em acolher o indivíduo sem rótulos pejorativos, compreendendo que a agitação mental precisa ser educada e direcionada para o bem.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
A síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem juntos, mas que podem ter várias causas diferentes.
Um transtorno é uma alteração ou desvio no funcionamento normal de um sistema, muito usado na psicologia e psiquiatria, para descrever mudanças mentais ou comportamentais que causam prejuízo na rotina.
Síndrome é a união de vários sintomas e sinais clínicos que aparecem ao mesmo tempo.
Transtorno é uma perturbação no funcionamento regular do corpo ou da mente.
A origem da Síndrome nem sempre tem uma causa única ou totalmente conhecida.
A origem do Transtorno é frequente na área da saúde mental, afetando emoções, pensamentos e comportamentos. Costuma ter múltiplos fatores (biológicos, psicológicos e sociais).
Exemplo de síndrome: Síndrome de Down (caracterizada por um padrão cromossômico específico).
Exemplo de transtorno: Transtorno de Ansiedade ou o TDAH.
Espíritos "maus" existem porque todos os espíritos são criados simples e ignorantes. Cada um se encontra num estágio diferente de evolução moral e intelectual.
O mal não é uma invenção personificada como o demônio, mas sim, a ausência do bem e da sabedoria.
Deus criou todas as almas iguais, sem preferência. O ponto de partida é a ignorância total, e o ponto final é a perfeição.
Os espíritos considerados maus são, na verdade, espíritos jovens ou atrasados, que ainda não compreenderam as leis de amor e justiça. Eles estão no início de sua jornada evolutiva e mudarão no futuro.
Cada espírito possui a liberdade de escolher o seu próprio caminho e as suas ações.
Alguns utilizam o livre-arbítrio para tomar decisões equivocadas, cultivando o orgulho, o egoísmo, a inveja e o apego material. Essas escolhas os mantêm temporariamente em faixas vibratórias de sofrimento e maldade.
A morte do corpo físico não altera o caráter de ninguém. Uma pessoa que desencarna sendo egoísta, violenta ou vingativa continua exatamente com a mesma mentalidade no mundo espiritual.
Ela passa a ser um "espírito mau" ou obsessor apenas porque mantém os mesmos defeitos que tinha enquanto estava viva.
A presença e a ação desses espíritos na Terra servem como prova ou expiação para os seres humanos. Deus permite essa interação para exercitar a paciência, a vigilância e a capacidade de perdoar dos encarnados.
Nenhum espírito está condenado ao mal eterno. Pela lei da reencarnação, todos passarão por quantas vidas forem necessárias para reparar seus erros, se arrepender e aprender.
Na visão espírita, o espírito de Adolf Hitler está sujeito às leis universais de causa e efeito (carma) e de evolução espiritual, sem a existência de penas eternas ou inferno mitológico. Médiuns brasileiros detalham o tratamento espiritual dado a ele.
O relato mais conhecido no meio espírita sobre o paradeiro de Hitler foi compartilhado por Geraldo Lemos Neto, que atribuiu as informações a conversas com o médium Chico Xavier.
Logo após sua morte, as Altas Esferas teriam determinado que o espírito de Hitler ficasse retido em uma colônia de reestruturação espiritual localizada na atmosfera do planeta Plutão.
A sentença espiritual inicial previa um período de mil anos terrenos de absoluto isolamento e reflexão, para que ele pudesse tomar consciência da extensão de seus atos.
Ao desencarnar, o espírito de Mahatma Gandhi teria intercedido por Hitler junto a Jesus.
Gandhi solicitou permissão para cuidar de Hitler, atraindo-o pelo amor e compaixão para acelerar seu processo de regeneração.
Todo o sofrimento gerado pelo ditador se reverte em dor e expiação para o próprio espírito em suas etapas de erraticidade (vida no mundo espiritual) e em futuras encarnações.
Nós, reencarcionistas, rejeitamos a condenação definitiva. Mesmo os espíritos que cometeram crimes graves têm a oportunidade de evolução e reparação.
Para evoluir, Hitler precisará reencarnar inúmeras vezes em condições expiatórias. Ele deverá servir e proteger diretamente as parcelas da humanidade que outrora prejudicou ou dizimou.
O tempo que um espírito leva no sofrimento depende do seu próprio arrependimento. A dor espiritual cessa ou diminui à medida que o indivíduo desperta para o bem e aceita reparar seus erros.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
O Espírito, no seu processo de evolução, tramita pelas experiências da sexualidade, sem fixar-se de forma inamovível numa ou noutra área.
Habitando uma anatomia masculina òu feminina, valem-lhe as somas dos comportamentos vividos, que lhe conferem conquistas mediante as quais se aprimora, e desabrocham as aptidões que lhe dormem latentes.
Os direitos, por isso mesmo, atribuíveis a um sexo em detrimento do outro, são resultado do atavismo ancestral que tem sua gênese na ignorância das leis e finalidades da vida, da reencamação...
O homem e a mulher são, desse modo, partes essenciais"da equação da vida biológica, do mecanismo da existência na Terra.
As aparentes manifestações de força e fraqueza são resultado mais do organismo do que da realidade espiritual de cada um.
Para a organização somática exercer a masculinidade ou a feminilidade, como meio de crescimento, a fim de alcançar as finalidades a que o Espírito se destina, cada forma é elaborada obedecendo aos princípios que lhe norteiam os objetivos. -
No homem, a força tem sido um dos atributos mais comuns, enquanto que a sensibilidade é outorgada à mulher, em razão da maternidade que ela deve exercer, iniciando o-ser desde as primeiras horas na aprendizagem e na aquisição de valores elevados de referência à vida.
Não-obstante, aparecem expressões inversas, sem qualquer patologia, em se considerando as impressões vigorosas que permanecem da existência anterior...
Perante Dèus são iguais os direitos do homem como os da mulher, embora situados em misteres próprios, podendo executar um a tarefa do outro, conforme as circunstâncias, sem que se invertam as finalidades da vida de cada qual.
"Realizando os deveres que lhes cumprem, completam-se esses dois elementos, propiciando-se a harmonia.
O feminismo, no bom sentido, é perfeitamente louvável, quando proclama a dignidade da mulher, os seus valores e os seus direitos, não, porém, quando conclama-à-disputá de papéis que ao homem cabe desempenhar; ou ao direito do aborto criminoso, como meio de afirmação, derrapando em lamentável delito; ou na liberação da sexualidade, escravizando-se ao instinto e rolando no paul de suas mais vis dependências; ou da aceitação dos vícios e condicionamentos inferiores que ao homem tem amesquinhado através dos séculos e de que se deveria libertar, sem que o lograsse até este momento...
A ninguém, ao homem ou à mulher, são concedidos a libertinagem, o cultivo dos vícios degradantes, as licenças morais perniciosas, a prática de crimes...
Quando alguém delinque num sexo, pelo abuso, normalmente reencama no outro, assinalado por limitações necessárias, que lhe constituem provação abençoada, que deve superar ao preço de renúncias, sacrifícios e resignação.
Volve, doutras vezes, na mesma área da sexualidade, todavia, sob injunções afligentes com que se regenera, como prólogo para futuros empreendimentos.
A maternidade exige e desenvolva a sensibilidade, a ternura, a paciência, aumentando a capacidade do amor na mulher.
A paternidade, igualmente, não descarta esses valores, entretanto, caracteriza-os com a energia equilibrada e o vigor bem dosado para completarem a obra da educação na personalidade, que deve ser trabalhada por ambos os genitores que novamente se completam e se identificam na realização do dever.
Os direitos da mulher são as suas conquistas morais, intelectuais, a liberdade de ação e de comportamento, sem as vexatórias colocações da desagregação da vida ou do extremismo, num inconsciente ou programado desforço contra os limites e condicionamentos sofridos no passado...
Entre os què acompanhavam Jesus, na hora máxima do testemunho, encontravam-se as mulheres que, arrebentando todos os preconceitos de uma época hostil e ignorante, impertérritas, afrontaram a massa ignara mediante as suas forças morais e O seguiram até a cruz, a morte...
Foi, também, a uma mulher, a quem Ele se apresentou, na ressurreição, como a demonstrar o conceito em que tinha o ser feminino, elegendo-o para dar a boa nova da Sua volta e libertar-se, desde então, dos grilhões que a impiedade e o orgulho lhe haviam colocado ostensivamente. >
Honrado por Sua mãe, que O seguiu, e honrando-a, dignificou para sempre a mulher, que permanece nobre credora de amor e respeito na sua condição de cocriadora da vida humana.
Qual o maior obstáculo ao progresso? "O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre. "
"Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo (o homem de bem), faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre seus interesses à justiça." (Cap. XVII, Item 3, do Evangelho segundo o Esppritismo).
texto do livro: Luz Viva. Medium: Divaldo Pereira Franco, por Joanna de Ângelis
Na visão reencarnacionista, não existem almas gêmeas no sentido romântico de "metades da laranja", ou seres predestinados a se completarem.
Cada espírito é uma unidade completa e individual.
O que vale é o conceito de espíritos afins (ou almas afins), que são inteligências que se sintonizam pela semelhança de sentimentos, valores, interesses e grau de evolução.
As almas são predestinadas a se unirem fatalmente? A resposta é categórica: não, há união particular e fatal, de duas almas.
A união real ocorre por graus de simpatia e afeição recíproca, com base na evolução que já alcançaram.
A ideia de uma metade eterna feriria o princípio do livre-arbítrio e da evolução individual, pois se uma das metades estacionasse no erro, a outra estaria condenada à infelicidade eterna.
Almas gêmeas são, na verdade, espíritos que caminham juntos há eras, construindo uma sintonia tão profunda de propósitos e sentimentos que a sua identificação é total.
Não são metades criadas juntas, mas seres que se escolheram e se cultivaram através dos milênios.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
De acordo com a doutrina, quem desencarna costuma passar pelo umbral, uns rapidamente, pela nova condição da vida, outros permanecem lá por maior período, talvez por estar carregando um padrão vibratório denso, gerado por sentimentos negativos, vícios, apegos excessivos à matéria ou remorsos profundos.
De qualquer forma, ao contrário do conceito teológico de inferno, o umbral não é um lugar de castigo eterno criado por Deus.
Trata-se de uma zona de transição e purificação espiritual, cujo destino é determinado automaticamente pela lei de afinidade e sintonia mental do próprio espírito.
São as seguintes as condições mentais que atraem o espírito para essa região:
1) Pessoas apegadas excessivamente aos bens materiais: quem viveu focado apenas em dinheiro, posses, status e prazeres puramente físicos.
2) Indivíduos com sentimentos densos cultivados: espíritos que alimentaram mágoa, ódio, desejo de vingança, egoísmo, orgulho ou vaidade extrema.
3) Pessoas com vícios arraigados: aqueles que desenvolveram forte dependência de substâncias (álcool, drogas) ou compulsões, pois continuam sentindo essa necessidade no plano espiritual.
4) Criminosos e abusadores: quem prejudicou terceiros intencionalmente e carrega a culpa densa ou a revolta no perispírito.
5) Pessoas comuns em desequilíbrio: mesmo pessoas consideradas "boas" no dia a dia podem passar pelo umbral se tiverem vivido com medo excessivo, revolta contra a vida, depressão profunda e falta de cultivo da espiritualidade.
O próprio André Luiz era um médico bem-intencionado, mas passou anos no umbral devido ao seu materialismo e descuidos com a saúde do próprio corpo.
E como funciona a atração e a saída?
Gravidade Espiritual: seus pensamentos funcionam como uma estação de rádio.
Pensamentos pesados criam uma densidade que "puxa" o espírito para baixo, fazendo-o sintonizar com outras mentes no mesmo sofrimento.
Duração Temporária: A permanência no umbral dura apenas o tempo necessário para o espírito esgotar suas ilusões da matéria e reconhecer seus erros.
A saída acontece imediatamente quando o espírito demonstra arrependimento sincero, humildade ou emite uma prece honesta pedir socorro.
Nesse instante, a frequência dele muda, permitindo que as equipes de socorro espiritual consigam localizá-lo e resgatá-lo para hospitais e colônias de luz.
artigo do jornal digital "O Dia", seção Além da vida.
Eutanásia e o Desprendimento Difícil, por André Luiz
Cap. 18 do livro Obreiros da Vida Eterna
André Luiz acompanha a desencarnação de Cavalcante, homem religioso e dedicado ao bem, mas profundamente temeroso da morte.
Desprendimento difícil
Agora, tínhamos sob os olhos o caso Cavalcante em processo final.
O pobre amigo permanecia agarrado ao corpo pela vigorosa vontade de prosseguir jungido à carne. A intervenção no apêndice inflamado, ao mesmo tempo que se buscava remediar a situação do duodeno, fizera-se tardia.
Estendera-se a supuração ao peritônio e debalde se combatia a rápida e espantosa infecção.
O enfermo perdia forças, e porque não conseguia alimentar-se, como devia, não encontrava recursos para compensar as perdas vultosas.
O intestino inspirava repugnância e compaixão. Qual estranho vaso destinado a fermentação, continha o ceco trilhões de bacilos de variadas espécies. Profundo desequilíbrio afetava as funções dos vasos sanguíneos e linfáticos no intestino delgado.
O cólon transverso e o descendente semelhavam-se a pequenos túneis, repletos das mais diversas coletividades microbianas. As vilosidades permaneciam cheias de sangue purulento, e, de quando em quando, abriam-se veias mais frágeis, provocando abundante hemorragia. Em todo o aparelho intestinal, verificava-se o gradual desaparecimento do tônus das fibras.
O pâncreas não mais tolerava qualquer trabalho, na desintegração dos alimentos, e o estômago deixava perceber avançada incapacidade. As glândulas gástricas jaziam quase inertes. Distúrbios destrutivos campeavam no fígado, onde animálculos vorazes se valiam da progressiva ausência de controle psíquico, manifestando-se ao léu, como microscópicos salteadores em sanha festiva.
O doente, por fim, já não suportava nenhuma alimentação. O estômago expulsava até a própria água simples, deixando-o exausto, em vista do tremendo esforço despendido nos reiterados acessos de vômito.
O sistema nervoso central e o abdominal, bem como os sistemas autônomos, acusavam desarmonia crescente.
Reconhecia, entretanto, ali, naquele agonizante que teimava em viver de qualquer modo no corpo físico, o gigantesco poder da mente, que, em admirável decreto da vontade, estabelecia todo o domínio possível nos órgãos e centros vitais em decadência franca.
Decorridos mais de quatro dias, em que atentávamos para o moribundo, cuidadosamente, Jerônimo deliberou fossem desatados os laços que o retinham à Esfera grosseira.
Bonifácio, prestimoso e gentil, coadjuvava-nos o trabalho.
Informando-se de nossa resolução, de modo vago, através dos canais intuitivos, o doente, pela manhãzinha, chamou o capelão, a fim de ouvi-lo, e, após breve confissão, que o sacerdote reduziu ao mínimo de tempo, em virtude das emanações desagradáveis que se desprenderam da organização fisiológica em declínio, o pobre Cavalcante, mal suspeitando a paz que o aguardaria na morte, procurou reter o eclesiástico, em contristadora conversação:
— Padre, — dizia ele, em voz súplice, — sei que morro, sei que estou no fim…
— Entregue-se a Deus, meu amigo. Só Ele pode saber em definitivo o que surgirá. Quem sabe se ainda tem longos anos à sua frente? Tudo pode acontecer…
O capelão falava apressado, abreviando a palestra e tentando dissimular suas penosas impressões olfativas, mas o moribundo continuou, ingênuo:
— Tenho medo, muito medo de morrer…
— Bem, — obtemperou o religioso, não ocultando um gesto de enfado que passou despercebido aos olhos do crente, — precisamos preparar o espírito para o que der e vier.
— Ouça, padre!… Acredita que me salvarei?
— Sem dúvida. Você foi sempre bom católico…
— Mas… escute! — E a voz do enfermo fez-se triste, mais chorosa e sufocada, — eu desejaria morrer noutras condições.
Segundo lhe confessei, fui abandonado pela mulher, há muitos anos… Sabe que ela me trocou por outro homem e fugiu para nunca mais… Sempre admiti que experimentei semelhante prova por incapacidade de compreensão da parte dela, mas, agora, padre… encarando a morte, frente a frente, reflito melhor…
Quem sabe se não fui o culpado direto? Talvez tivesse levado longe demais meu propósito de viver para a religião, faltando-lhe com a assistência necessária… Lembro-me de que, às vezes, chamava-me “padre sem batina”. Possivelmente minha atitude impensada teria dado origem ao desvio da minha companheira…
Após fitar o clérigo demoradamente, implorou:
— Poderá sua caridade continuar indagando por mim? Necessito vê-la, a fim de apaziguar a consciência… Há onze anos, perdi-a de vista…
O sacerdote, no entanto, não parecia intimamente interessado em satisfaze-lo e repetia com impaciência:
— Descanse, descanse… Prosseguirei nas diligências. Tenha coragem, Cavalcante! É provável que tudo venha ao encontro de nossos desejos.
O moribundo, voz entrecortada pelo cansaço, murmurou:
— Obrigado, padre, obrigado!…
O religioso intentou sair, mas Cavalcante, amedrontado, perguntou, ainda:
— Acha que me demorarei muito tempo no purgatório?
— Que ideia! — Resmungou o interlocutor, entediado, — falta-lhe suficiente confiança no poder de Deus?
Enunciou as últimas palavras com tamanha irritação que o enfermo lhe percebeu o descontentamento, sorriu humilde e calou-se.
O sacerdote, ao se afastar, aliviado, encontrou certo médico e indagou:
— Afinal, que acontece ao Cavalcante? Morre ou não morre? Estou cansado de tantos casos compridos.
— Tem sido gigante na reação, — informou o clínico, bem humorado. — Considerando-lhe, porém, os males sem cura, venho examinando a possibilidade da eutanásia.
— Parece-me caridade, — redarguiu o religioso, — porque o infeliz apodrece em vida…
O esculápio abafou o riso franco e despediram-se.
A cena chocava-me pelo desrespeito. Ambos os profissionais, o da Religião e o da Ciência, notavam situações meramente superficiais, incapazes de penetração nos sagrados mistérios da alma. Entretanto, para compensar tão descaridosa incompreensão, Cavalcante era objeto de nosso melhor carinho. Por mim, não saberia ministrar-lhe benefícios, dada a insipiência de minha singela colaboração, mas Jerônimo e Bonifácio cercavam-no de singular cuidado, amparando-o como se fora bem-amada criança.
Quando o eclesiástico pisava mais longe, o meu Assistente considerou:
— O pobre sacerdote ainda não possui “olhos de ver”. Cavalcante foi, antes de tudo, perseverante trabalhador do bem.
Enquanto isso, o enfermo buscava enxugar as lágrimas copiosas. A atitude do capelão advertira-o do deplorável estado de seu corpo físico. Passou a sentir o cheiro desagradável das próprias vísceras, agravando-se-lhe o mal-estar.
Sob incoercível angústia, pediu o comparecimento de determinada religiosa, dentre as diversas que atendiam a casa. Experimentava funda sede de consolo, necessitava coragem que lhe viesse do exterior. Provavelmente encontraria no coração feminino o reconforto que o confessor não lhe soubera prodigalizar.
Porém, a “irmã de caridade” não trazia consigo melhor humor. Fez questão de escutá-lo, alçando desinfetante enérgico ao nariz, a infundir-lhe surpresa ainda mais dolorosa. Cavalcante chorou, queixou-se. Precisava viver mais alguns dias, declarou, humilhado. Não desejava partir sem a reconciliação conjugal. Rogava providências médicas mais eficientes e prometia pagar todas as despesas, logo pudesse tornar ao serviço comum. Pretendia recorrer a parentes endinheirados que residiam a distância. Resgataria o débito até o derradeiro centavo.
A “irmã de caridade”, depois de ouvi-lo, com impassível frieza, foi mais sucinta:
— Meu amigo, — disse, áspera, — tenha fé. A casa está repleta de enfermos, alguns em piores condições.
Como o doente insistisse nas solicitações, concluiu ríspida e secamente:
— Não tenho tempo.
O agonizante deu curso ao pranto silencioso. Recordou, de alma oprimida por angustiosa saudade, a infância e a juventude. Percorrera as estradas terrenas, de coração aberto à prática do bem. Não compreendia Jesus cerrado nos templos de pedra, a distância dos famintos e sofredores que choravam por fora.
A doutrina que abraçara não lhe oferecia ensejo de mais vasta aplicação ao exemplo evangélico. Era compelido a satisfazer obrigações convencionais e a perder grande tempo através de manifestações do culto externo; entretanto, valera-se de toda oportunidade para testemunhar entendimento cristão.
Porque amara o exercício do bem, constante e fiel, era aborrecido aos sacerdotes e familiares em geral. A parentela, inclusive a esposa, considerava-o fanático, desequilibrado, imprestável. Perseverava mesmo assim.
Embora as condições elevadas em que desenvolvera a fé, ignorava as lições do Além-Túmulo e receava a morte. Estimaria obter a certeza do destino a seguir. A visão mental do inferno, segundo as concepções católicas, punha-lhe arrepios no espírito exausto. A probabilidade dos sofrimentos purgatoriais enchia-o de temor.
Desejava algo de melhor, de mais belo que o velho mundo em que vivera até então… Suspirava por ingressar em coletividade diferente, em que pudesse encontrar corações a pulsarem sintonizados com o dele; sentia fome e sede de compreensão, de profunda compreensão, mas, prejudicado pelos princípios dogmáticos da escola religiosa a que se filiara, repelia-nos a ação.
O Assistente, pondo em prática recursos magnéticos, tentou propiciar-lhe sono brando, de maneira a subtrair-lhe os temores em socorro direto, fora do corpo físico. Contudo, o moribundo lutou por manter-se vigilante.
Temia dormir e não despertar, pensava, ansioso. Queria ver a esposa, antes do fim, dizia de si para consigo. Não era, efetivamente, provável? não seria justo morrer tranquilo? Oh! Se ela surgisse! — Acariciava a possibilidade, — penitenciar-se-ia dos erros passados, pedir-lhe-ia perdão.
Tamanha humildade assomava-lhe ao ser, naquela hora de grande abatimento, que não se magoaria em receber-lhe a visita junto do “outro”. Porque odiar? Porventura, não lhe ensinava a lição de Jesus que a fraternidade constitui sempre a bênção do Altíssimo?
Quem seria mais culpado? Ele, que mantinha dobrada indiferença para com as exigências afetivas da companheira, pelo arraigado devotamento à fé, ou aquele homem, despreocupado de qualquer responsabilidade, que a recolhera, talvez em desesperação?
Se pugnara sempre pela prática da caridade, por que motivo ele, Cavalcante, faltara com a necessária demonstração, portas a dentro do próprio lar? Em verdade, as sugestões sublimes da fé religiosa inflamaram-lhe o espírito de amor universal. Não tolerava a sufocação do idealismo ardente. Ninguém poderia reprová-lo.
Mas, se era esse o caminho escolhido, que razões o levaram a desposar pobre criatura, incapaz de apreender-lhe a fome de luz? Por que fizera firmes promessas a um coração feminino, ciente de que ele não poderia atendê-las?
A dor desenha a tela da lógica no fundo da consciência, com muito mais nitidez que todos os compêndios do mundo. A morte próxima enchia aquela alma formosa de sublimes reflexões. Entretanto, o medo alojara-se dentro dela como sicário invisível.
Cavalcante, que via tão bem na paisagem dos sentimentos humanos, permanecia cego para o “outro lado da vida”, de onde tentávamos auxiliá-lo, em vão.
Jerônimo poderia aplicar-lhe recursos extremos, mas absteve-se. Inquirido por mim acerca de seus infindos cuidados, explicou, muito calmo:
— Ninguém corte, onde possa desatar…
A resposta calou-me fundo.
Debalde, porém, procurou-se prodigalizar ao doente a trégua do sono preparatório e reconfortador. Cavalcante reagia, insistente. Sentindo-nos a aproximação e interferência, de leve, fazia apressados movimentos labiais, recitando orações em que implorava a graça de ver a companheira, antes de morrer.
— Desventurado irmão! — Comentou Bonifácio, comovido, — não sabe que a consorte desencarnou há mais de ano, num catre, vítima de uma infecção luética.
Jerônimo não se moveu, mas lutei contra mim para não disparar interrogações, a torto e a direito, em busca de pormenores. Coibi-me, felizmente. A hora não comportava perguntas inúteis. Meu Assistente, como se houvera recebido a mais natural das informações, dirigiu a palavra ao companheiro, recomendando:
— Bonifácio, nosso amigo não pode suportar por mais tempo a existência do corpo carnal. A máquina rendeu-se. Dentro de algumas horas, a necrose ganhará terreno e precisamos libertá-lo. Teima em agarrar-se à carne apodrecida e pede, comovedoramente, a presença da esposa.
Já tentamos auxiliá-lo a desprender-se, afrouxando os laços da encarnação no plexo solar, mas ele reage com espantoso poder. Resolvi, em vista disso, abrir pequenos vasos do intestino para que a hemorragia se faça ininterrupta, até à noite, quando efetuaremos a liberação.
Peço a você trazer-lhe a companheira desencarnada, por instante, até aqui. O enfraquecimento físico acentuar-se-á vertiginosamente, de ora em diante, e, com espaço de algumas horas, as percepções espirituais de Cavalcante se farão sentir. Verá, desse modo, a esposa, antes do decesso que se aproxima e dormirá menos inquieto.
Bonifácio pôs-se pronto para cumprir a ordem e assegurou integral cooperação.
Logo após, o Assistente operou, cauteloso, sobre a região intestinal, rompendo certas veias de menor importância, atenuando-lhe a capacidade de resistência.
Ausentaríamos, por breves horas, considerando que o relógio assinalava poucos minutos além do meio-dia. Antes, porém, de nos afastarmos, observando o quadro emocionante da enfermaria gratuita, a que o moribundo se recolhera, perguntei a Jerônimo, admirado:
— Já que o nosso tutelado se enfraquecerá, a ponto de fazer observações no Plano invisível aos olhos mortais, chegará a ver também as paisagens de vampirismo que me impressionam no recinto?
— Sim. — Informou o orientador.
— Mas ele terá energia suficiente para tudo ver sem perturbar-se?
— Não posso garantir. Naturalmente qualquer Espírito encarnado, diante de um quadro desses, poderia ser vítima de loucura e, possivelmente, atravessaria algumas poucas horas em franco desequilíbrio, dada a novidade do evento.
Quando a luz aparece, em determinado Plano, onde a criatura esteja “apta para ver”, tanto se enxerga o pântano como o céu. Questão de claridade e sintonia, simplesmente.
A notícia pôs-me frêmitos de piedade.
A enfermaria estava repleta de cenas deploráveis. Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, infligindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirosamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os.
Desde o serviço inicial do tratamento de Cavalcante, desagradaram-me tais demonstrações naquele departamento de assistência caridosa e cheguei mesmo a consultar o Assistente quanto à possibilidade de melhorar a situação, mas Jerônimo informou, sem estranheza, que era inútil qualquer esforço extraordinário, pois os próprios enfermos, em face da ausência de educação mental, se incumbiriam de chamar novamente os verdugos, atraindo-os para as suas mazelas orgânicas; só nos competindo irradiar boa vontade e praticar o bem, tanto quanto fosse possível, sem, contudo, violar as posições de cada um.
Confesso que experimentava enorme dificuldade para desempenhar os deveres que ali me retinham, porquanto as interpelações de infelizes desencarnados atingiam-me insistentemente. Pediam toda a sorte de benefícios, reclamavam melhoras, explodiam em lamúrias sem fim.
Sereno e forte, o meu orientador conseguia trabalhar de mente centralizada na tarefa, inacessível às perturbações exteriores. Quanto a mim, entretanto, não alcançara ainda semelhante poder.
Os pedidos, os lamentos, os impropérios, feriam-me a observação, impedindo-me de conservar a paz íntima.
Por isso mesmo, ao me retirar, pensei na surpresa amargurosa do moribundo, ao se lhe abrir a cortina que lhe velava a visão espiritual.
Aguardei, curioso, o cair da noite, quando, em companhia do orientador, atravessei, de volta, o pórtico do hospital.
Cavalcante avizinhava-se do coma. O sangue alagava lençóis, que eram substituídos repetidamente. O enfraquecimento geral progredia, rápido.
O agonizante inspirava dó. Abriram-se-lhe certos centros psíquicos, no avançado abatimento do corpo, e o infeliz passou a enxergar os desencarnados que ali se encontravam, não longe dele, na mesma esfera evolutiva.
Não nos identificava, ainda, a presença, como seria de desejar, mas observava, estarrecido, a paisagem interior. Outros enfermos encaravam-no, agora, amedrontados. Para todos eles, o colega de sofrimento delirava, inconsciente.
— Estarei no inferno ou vivemos em casa de loucos? — Bradava sob horrível tormento moral. — Oh! Os demônios! Os demônios!… Vejam o “espírito mau” roendo chagas!…
E, de facies contraída, apontava mísero ancião de pernas varicosas.
— Oh! Que diz ele? — Prosseguia com visível espanto, — diz que não é o diabo, afirma que o doente lhe deve…
Ouvidos à escuta, silenciava, ansioso por registrar as palavras impensadas e criminosas do algoz desencarnado, mas, não conseguindo, desabafava-se em gritos lamentosos, infundindo compaixão.
Não fora a fraqueza invencível, ter-se-ia levantado com impulsos de louco. Doentes e enfermeiros, alarmados, optavam pela remoção do moribundo. Tinham medo. Cavalcante desvairava. Consolavam-se, todavia, na expectativa de que a hemorragia abundante prenunciasse termo próximo.
Jerônimo ministrou-lhe, então, piedosamente, recursos de reconforto, e o agonizante aquietou-se, devagarinho…
Não se passou muito tempo e Bonifácio entrou conduzindo verdadeiro fantasma. A ex-consorte, convocada à cena, semelhava-se, em tudo, a sombra espectral. Não via o nosso cooperador, mas obedecia-lhe à ordem.
Penetrou o recinto, quase arrastando-se. Satisfazendo o guia, automaticamente, veio ter ao leito de Cavalcante, fitou-o com intraduzível impressão de horror e gritou, longamente, perturbando-lhe a hora de alívio.
O moribundo voltou-se e viu-a. Alegre sorriso estampou-se-lhe no escaveirado rosto.
— Pois és tu, Bela? Graças a Deus, não morrerei sem pedir-te desculpas!…
A ternura com que se dirigia a tão miserável figura causava compaixão.
A esposa abeirou-se do leito, tentando ajoelhar-se. Ouvindo-o, assombrada, retrucou, aflita:
— Joaquim, perdoa-me, perdoa-me!…
— Perdoar-te de quê? — Replicou ele, buscando inutilmente afagá-la. Eu, sim, fui injusto contigo, abandonando-te ao léu da sorte…
Por favor, não me queiras mal. Não te pude compreender noutro tempo e facilitei-te o passo em falso, colaborando, impensadamente, para que te precipitasses em escuro despenhadeiro. Não entendi o problema doméstico tanto quanto devia… Hoje, porém, que a morte me busca, desejo a paz da consciência. Confesso minha culpa e rogo-te perdão… Desculpa-me…
Falava vencendo enormes obstáculos. No entanto, notava-se que aquele entendimento lhe fazia imenso bem. A mente se apaziguara. Contemplava a esposa, reconhecido, quase feliz.
— Ó Joaquim! — Suplicou a mísera, — perdoa-me! Nada tenho contra ti. O tempo ensinou-me a verdade. Sempre foste meu leal amigo e dedicado irmão!
O moribundo escutou-a, esboçando expressão fisionômica de intensa alegria. Fitou-a, em êxtase, totalmente modificado e murmurou:
— Agora, estou satisfeito, graças a Deus!…
Nesse instante, o mesmo médico que víramos, pela manhã, avizinhou-se do leito para a inspeção noturna, acompanhado de diligente enfermeira.
Chamado por ele, voltou-se Cavalcante e, pondo na boca todas as forças que lhe restavam, notificou, feliz:
— Veja, doutor, minha esposa chegou, enfim!
E, interessado em conquistar a atenção do interlocutor, prosseguia:
— Estou contente, conformado… Mas minha pobre Bela parece enferma, abatida… Ajude-a por amor de Deus!
Relanceando, em seguida, o olhar pela extensa enfermaria e fixando os quadros tristes, entre encarnados e desencarnados, inquiriu:
— Por que motivo tantos loucos foram internados aqui? Olhem, olhem aquele! Parece sufocar o infeliz…
Indicava particularidade dolorosa, em que certa entidade assediava pobre doente atacado de asma cardíaca.
O médico, no entanto, contemplou-o, compadecido, e disse à servente:
— É o delírio, precedendo o fim.
Entrementes, Jerônimo recomendou a Bonifácio retirasse a sombria figura da ex-consorte de Cavalcante, acentuando:
— Não nos convém doravante a permanência dela aqui. Já cumpriu as obrigações que a trouxeram aqui e ainda possui numerosos credores à espera.
A desventurada reagiu, procurando ficar, mas Bonifácio empregou força magnética mais ativa para alcançar o objetivo necessário.
Reparando, porém, que a ex-companheira se afastava aos gritos, o agonizante começou a gritar, alucinado:
— Volta, Bela! Volta!
Esforçou-se o clínico por traze-lo à esfera de observações que lhe era própria, mas debalde. Cavalcante continuava invocando a presença da esposa, em voz rouca, opressa, sumida.
O médico abanou a cabeça e exclamou quase num sussurro:
— É impossível continuar assim. Será aliviado.
Jerônimo penetrou-lhe o íntimo, porque passou a mostrar extrema preocupação, comunicando-me, gravemente:
— Beneficiemos o moribundo, por nossa vez, empregando medidas drásticas. O doutor pretende impor-lhe fatal anestésico.
Atendendo-lhe a ordem, segurei a fronte do agonizante, ao passo que ele lhe aplicava passes longitudinais, preparando o desenlace. Mas o teimoso amigo continuava reagindo.
— Não! — Exclamava, mentalmente, — não posso morrer! Tenho medo! Tenho medo!
O clínico, todavia, não se demorou muito, e como o enfermo lutava, desesperado, em oposição ao nosso auxílio, não nos foi possível aplicar-lhe golpe extremo. Sem qualquer conhecimento das dificuldades espirituais, o médico ministrou a chamada “injeção compassiva”, ante o gesto de profunda desaprovação do meu orientador.
Em poucos instantes, o moribundo calou-se. Inteiriçaram-se-lhe os membros, vagarosamente. Imobilizou-se a máscara facial. Fizeram-se vítreos os olhos móveis.
Cavalcante, para o espectador comum, estava morto. Não para nós, entretanto. A personalidade desencarnante estava presa ao corpo inerte, em plena inconsciência e incapaz de qualquer reação.
Sem perder a serenidade otimista, o orientador explicou-me:
— A carga fulminante da medicação de descanso, por atuar diretamente em todo o sistema nervoso, interessa os centros do organismo perispiritual. Cavalcante permanece, agora, colado a trilhões de células neutralizadas, dormentes, invadido, ele mesmo, de estranho torpor que o impossibilita de dar qualquer resposta ao nosso esforço. Provavelmente, só poderemos libertá-lo depois de decorridas mais de doze horas.
Regressando Bonifácio, o meu dirigente prestou-lhe informações exatas e confiou-lhe o pobre amigo, que foi imediatamente transportado ao necrotério.
E, conforme a primeira suposição de Jerônimo, somente nos foi possível a libertação do recém-desencarnado quando já haviam transcorrido vinte horas, após serviço muito laborioso para nós.
Ainda assim, Cavalcante não se retirou em condições favoráveis e animadoras. Apático, sonolento, desmemoriado, foi por nós conduzido ao asilo de Fabiano, demonstrando necessitar maiores cuidados.
André Luiz.
Divulgação espírita: conto sobre a sua importância
Espiritismo e divulgação
Humberto de Campos (Irmão X)
O excelente advogado Joaquim Mota, espírita de convicção desde a primeira mocidade, possuía ideias muito próprias acerca de pensamento religioso. Extremamente sensível, julgava um erro expor qualquer definição pessoal, em matéria de fé. “Religião — costumava dizer — é assunto exclusivo de consciência.” E fechava-se.
Na biblioteca franqueada aos amigos, descansavam tomos em percalina e dourados, reunindo escritores clássicos e modernos, em ciência e literatura. Conservava, porém, os livros espíritas isolados em velha cômoda do espaçoso quarto de dormir.
Não agia assim, contudo, por maldade. Era, na essência, um homem sincero e respeitável, conquanto espírita à moda dele, sem a menor preocupação de militança. Espécie de ilha amena, cercada pelas correntes do comodismo.
Encasquetara na cabeça o ponto de vista de que ninguém devia, a título algum, falar a outrem de princípios religiosos que abraçasse, e prosseguiu, vida afora, repelindo qualquer palpite que o induzisse à renovação.
Era justamente a esse homem que fôramos confortar, dentro da noite.
Mota vinha de perder a companhia de Licínio Fonseca, recentemente desencarnado, o amigo que lhe partilhara vinte e seis anos de serviço no foro. Ambos amadurecidos na existência e na profissão, após os sessenta de idade, eram associados invariáveis de trabalho e de luta. Juntos sempre nos atos jurídicos, negócios, interesses, férias e excursões.
Sem o colega ideal, baqueara Mota em terrível angústia. Trancava-se em lágrimas, no aposento íntimo, ansiando vê-lo em espírito… E tanto rogou a concessão, em preces ocultas, que ali nos achávamos, em comissão de quatro cooperadores, com instruções para levá-lo ao companheiro.
Desligado cautelosamente do corpo, que se acomodara sob a influência do sono, embora não nos percebesse o apoio direto, foi Joaquim transportado à presença do amigo que a morte arrebatara.
No leito de recuperação do grande instituto beneficente a que fora recolhido, no Mundo Espiritual, Licínio chorou de alegria ao revê-lo, e nós, enternecidos, seguimos, frase a frase, o diálogo empolgante que se articulou, após o júbilo extrovertido das saudações.
— Mota, meu caro Mota — soluçou o desencarnado, com impressionante inflexão —, a morte é apenas mudança… Cuidado, meu amigo! Muito cuidado!… Quanto tempo perdi, em razão de minha ignorância espiritual!!… Saiba você, Mota, saiba você que a vida continua!…
— Mas eu sei disso, meu amigo — ajuntou o visitante, no intuito de consolá-lo —, desde muito cedo entrei no conhecimento da imortalidade da alma. O sepulcro nada mais é que a passagem de um Plano para outro…Ninguém morre, ninguém…
— Ah! você sabe então que o homem na Terra é um Espírito habitando provisoriamente um engenho constituído de carne? que somos no mundo inquilinos do corpo? — indagou Licínio, positivamente aterrado.
— Sei, sim…
— E você já foi informado de que quando nascemos, entre os homens, conduzimos ao berço as dívidas do passado, com determinadas obrigações a cumprir?
— De modo perfeito. Muito jovem ainda, aceitei o ensinamento e a lógica da reencarnação…
— Mota!… Mota!… — gritou o outro visivelmente alterado — você já consegue admitir que nossas esposas e filhos, parentes e amigos, quase sempre são pessoas que conviveram conosco em outras existências terrestres? que estamos enleados a eles, frequentemente, para o resgate de antigos débitos?
— Sim, sim, meu caro, não apenas creio…Sei que tudo isso é a verdade inconteste…
— E você crê nas ligações entre os que voltam para cá e os que ficam? Você já percebe que uma pessoa na Terra vive e respira com criaturas encarnadas e desencarnadas? que podem existir processos de obsessão, entre os chamados vivos e mortos, raiando na loucura e no crime?!…
— Claramente, sei disso…
O interlocutor agarrou-lhe a destra e continuou, espantado:
— Mota! Mota! Ouça!… Você está certo de que a vida aqui é a continuação do que deixamos e fazemos? já se convenceu de que todos os recursos do Plano físico são empréstimos do Senhor, para que venhamos a fazer todo o bem possível e que ninguém, depois da morte, consegue fugir de si mesmo?…
— Sim, sim…
Nesse instante, porém, Licínio desvairou-se. Passeou pelo recinto o olhar repentinamente esgazeado, fez instintivo movimento de recuo e bradou:
— Fora daqui, embusteiro, fora daqui!…
O visitante, dolorosamente surpreendido, tentou apaziguá-lo:
— Licínio, meu amigo, que vem a ser isso? Acalme-se, acalme-se… — Sou eu, Joaquim Mota, seu companheiro do dia a dia…
— Nunca! Embusteiro, mistificador!… Se ele conhecesse as realidades que você confirma, jamais me teria deixado no suplício da ignorância… Meu amigo Joaquim Mota é como eu, enganado nas sombras do mundo… Ele foi sempre o meu melhor irmão!… Nunca, nunca permitiria que eu chegasse aqui, mergulhado em trevas!…
Mota, em pranto, intentava redarguir, mas interferimos, a fim de sustar o desequilíbrio e, para isso, era preciso afastá-lo de imediato.
Mais alguns minutos e o advogado reapossou-se do corpo físico. Nada de insegurança que o impelisse à ideia de sonho ou pesadelo. Guardava a certeza absoluta do reencontro espiritual. Estremunhado, ergueu-se em lágrimas e, sequioso de ar puro que lhe refrigerasse o cérebro em fogo, abriu uma das janelas do alto apartamento que lhe configurava o ninho doméstico.
Mota contemplou o casario compacto, onde, talvez, naquela hora, dezenas de pessoas estivessem partindo da experiência passageira do mundo para as experiências superiores da Vida Maior e, naquele mesmo instante da madrugada, começou a pensar, de modo diferente, em torno do Espiritismo e da sua divulgação.
do livro Cartas e crônicas, de Chico Xavier, psicografia do espírito Humberto de Campos (Irmão X), cap. 12
Movimento Espírita, alvo das investidas das sombras organizadas
O Espírito Camilo, através da psicografia de José Raul Teixeira, fez um alerta muitíssimo pertinente intitulado "Uma Reflexão sobre o Movimento Espírita", constante da obra "Desafios da Educação" (Editora Fráter).
Como o prezado e atento leitor poderá notar, a citada entidade espiritual analisa detalhadamente a quantas anda o Movimento Espírita em vista da falta de estudo e conhecimento do Espiritismo, resultando na tentativa de enxertias e desvios de todo tipo, incentivadas pela espiritualidade inferior, interessada em promover o sincretismo e a confusão em nossas fileiras.
Leiamos com atenção e vejamos a estreita conexão com aquilo que vimos analisando. Inicialmente, a nobre entidade fala sobre a excelência da mensagem espírita e da grandiosa figura do Codificador Allan Kardec e sua preocupação com a UNIDADE doutrinária:
"A excelente Mensagem Espírita chega ao mundo como refrescante e iluminada aurora, anunciando um dia novo de bênçãos para o planeta, atendendo as imensas carências da alma terrestre, que vivia a braços com as trevas ocasionadas pelo absolutismo materialista, que tem seus fundamentos balançados, em razão das Vozes altíssimas e claras que rasgaram o silêncio dos túmulos, para invadir os ouvidos da Humanidade inteira.
Como chuva bondosa, a Doutrina Espírita penetra o solo ressequido das almas, onde, a partir de então, as sementes nobres dos ensinamentos do Mundo Superior teriam toda a chance de germinar e medrar, estabelecendo ventura e progresso.
Eram novos tempos para a cultura e para a fé, agora irisadas por luzes espirituais que se mostravam diante de todos, formulando convite ao Espírito humano para um pensamento mais alto.
No centro das ocorrências, destaca-se a figura augusta do professor Rivail, universalmente conhecido como Allan Kardec, e na sua visão de Espírito de escol, sabia e afirmava que seria ponto de honra para o desenvolvimento da Mensagem na Terra a manutenção da unidade.
Seria indispensável que em toda parte, onde surgisse um núcleo de estudos do Espiritismo, se pudesse falar a mesma linguagem, sem que houvesse riscos de ser ele desfigurado, sem riscos de que viesse a sofrer enxertias, o que seria descabida ocorrência no bojo de uma doutrina de tamanha lucidez.
A preocupação do Codificador, porém, dizia que tais dificuldades eram passiveis de ocorrer."
Prosseguindo, o Espírito Camilo comenta sobre o crescimento do Movimento Espírita e faz um alerta:
"O tempo passa, as atividades em torno da Doutrina Espírita são desenvolvidas com rapidez.
Da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1858, aos dias atuais, podem-se contar por milhares as instituições levantadas no mundo em nome da Veneranda Doutrina.
Do pequeno grupo de almas dispostas, que ladearam o Codificador, suportando toda agrestia e fereza dos primeiros preconceitos até hoje, quando se torna status importante dizer-se espírita, há quase um século e meio de modificações na mentalidade geral.
À semelhança do que ocorreu com a primitiva comunidade dos Apóstolos de Jesus, que foi perdendo em qualidade à medida que se foi expandindo, se popularizando e ganhando notoriedade através do prestígio político de Roma, as atividades ao redor do Espiritismo - o Movimento Espírita - foram tomando contornos preocupantes em todo lugar, na proporção do seu agigantamento acompanhado pelo desconhecimento declarado dos seus fundamentos."
Como pudemos perceber, Camilo aponta o desconhecimento decorrente da falta de estudo do Espiritismo como razão principal para a perda de qualidade que se nota em todo lugar no que tange à prática doutrinária, tal qual ocorreu com o Cristianismo, que em praticamente nada se assemelha àquilo que foi legado por Jesus.
"Allan Kardec, valendo-se do seu inesgotável bom senso, estabeleceu que o Espiritismo é uma doutrina de livre exame, significando que, não sendo impositiva, oferece ao indivíduo que vai ao seu encontro todas as possibilidades de discussão e de análises, até que tenha podido compreender suas bases, de modo a vivê-las com claridade mental e segurança.
Tristemente, muitos pensaram que tal condição de Mensagem lhes permita adaptar os seus preceitos doutrinários aos próprios gostos e tendências, sem causarem problemáticas adulterações no trabalho de profunda coerência dos Numes Tutelares da Terra."
Realmente perfeita a colocação do Espírito Camilo. Muitos acham que podem adaptar seus atavismos ao corpo doutrinário espírita, demonstrando, com isso, total incoerência.
Se não se encontram satisfeitos com o Espiritismo, e não sendo esta uma Doutrina exclusivista e impositiva, nada mais sensato que dedicarem-se aos seus movimentos religiosos, deixando a prática espírita livre de adulterações e enxertias descabidas.
"Referiu-se o Codificador à compreensão do Espiritismo dizendo que quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das suas ideias (Kardec, A. O Livro dos Espíritos, introdução, parte VIII).
Lamentavelmente, porém, muitos admitiram que poderiam falar e agir em seu nome, sem o mínimo de estudo de sua doutrina, na pressa inconsequente por obter fenômenos que bem podiam ser buscados fora dos arraiais espíritas, o que não vincularia a possível má qualidade ou a sua impostura ao respeitável estatuto espiritista.
Os abnegados Prepostos do Cristo ensinam na Codificação que o ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão (O Livro dos Espíritos, questão 627).
Desafortunadamente, indivíduos oriundos dos mais diversos territórios intelectuais, das mais variadas regiões morais, com as mais estranhas idiossincrasias, atiraram-se a propor alterações doutrinárias, a fazerem adaptações inconsistentes quão perigosas, introduzindo ideias e práticas francamente estranhas aos textos e contexto da Doutrina.
São muitos os que, ignorantes, vão mantendo outras criaturas no seu mesmo nível, abominando estudos, detestando análises, impossibilitando a aeração dos movimentos do raciocínio.
Um grande número não crê no que o Espiritismo expõe, mas se vale da atenção dos crédulos e ingênuos, sempre abundantes, para impor as suas próprias fantasias que trata de envolver com as cores da Veneranda Doutrina, porque sabe do desvalor do produto que oferece, querendo adesões que lhe incense a vaidade.
Nenhum problema provocaria o indivíduo que criasse uma ordem de ideias, uma doutrina pessoal e que a defendesse com insistência, em seu nome mesmo, e a partir disso cobrasse atendimento, forjasse distintivos, premiações, imagens de "santos" encarnados, liturgias sacramentais e ordenações.
Toda a sua prática seria buscada e seguida pelas almas que sintonizassem com isso, como deparamos no mundo dos intocáveis ismos, personalizados e personalistas, arrebanhando grupos imensos de fanatizados, que pagam bem caro para comprar um lugar no céu..., conforme a promessa dos seus líderes."
Camilo cita aquilo que também defendemos: sigam a quem quiserem e aquilo que bem entenderem, têm todos esse direito, mas aqueles que se dizem espíritas devem cuidar para que o Espiritismo mantenha-se livre de misturas, atavios e enxertias, permanecendo claro e límpido conforme nos foi legado pela Espiritualidade Superior.
"Quanto ao Espiritismo, porém, as coisas devem ser diferentes. Não havendo obrigação da pessoa ser espírita; inexistindo qualquer ameaça infernal para quem não aceite sua orientação; não se prometendo premiações celestiais a quem quer que seja e sendo uma escolha livre da criatura, em meio de tão diversificadas opções, torna-se imprescindível que quem queira ser espírita se despoje dessa terrível vaidade de que querer que as coisas sejam a seu gosto, ao invés de ajustar-se aos espirituais ensinamentos da Grande Luz.
Imprescindível que o sincero espírita assuma, de fato, a disposição de melhorar-se com o conteúdo assimilado das lições do Infinito, pelejando para domar as suas inclinações inferiores."
No trecho a seguir, Camilo fala da estratégia da espiritualidade inferior para aniquilar o Movimento Espírita:
"Com tristeza, percebe-se hoje que o Movimento Espírita, que dispõe de tudo o que a Doutrina Espírita lhe brinda para ser amadurecido, pujante e avançado, tem sido alvo das investidas das Sombras organizadas e se encharcado com seus conteúdos peçonhentos e danosos.
Daí, são núcleos criados para reverenciar personalidades vaidosas, que não abrem mão da relação de vassalagem; são instituições montadas somente para atender os corpos, sem qualquer compromisso com o Espírito imortal que permanece vagueando nas trevas de si mesmo; são casas erguidas para desfigurar o pensamento espírita, em razão das mesclas implantadas com doutrinas, filosofias e práticas orientalistas ou africanistas que, mesmo merecendo respeito, têm propostas bem distintas das do Consolador."
Tais observações de Camilo não poderiam ser mais claras: a ênfase em trabalhos de cura de corpos em detrimento do estudo da Doutrina; a inserção de práticas orientalistas e africanistas; a idolatria a personalidades vaidosas e centralizadoras, encarnadas e desencarnadas, tidas como detentoras exclusivas da Verdade... Tudo isso com o velado objetivo de desfigurar o Espiritismo.
"Ainda em nosso Movimento Espírita, se há confundido o caráter universalista do Espiritismo com uma infausta tendência agregacionista, pois, ao invés de o pensamento espírita ajudar a ver o mundo dentro da óptica da Vida Superior, para que o indivíduo saia do nível das considerações meramente materiais, vê-se que tudo que é encontrado de "interessante" mundo afora, deseja-se agregar ao Espiritismo.
Cânticos, terapias, experimentações psíquicas diversas, mantras, vestuário, jargões, festividades de gosto execrável e coisas outras ocupando variado espectro, têm despontado aqui e ali, em nome da Doutrina Espírita.
E, o que é mais contristador, é que tudo isto se dá diante da postura inerme dos que aceitaram responsabilidades diretivas das quais não dão conta. Tudo isto tem sido acompanhado com o consentimento dos que dirigem, coordenam, "orientam"..."
Exatamente como pensa a seita ramatisista: tudo creem devam incorporar ao Espiritismo, em nome de um suposto "universalismo", que, na verdade, não passa de confusão sincrética oriunda de atavismos e falta de aprofundamento e entendimento da proposta doutrinária espírita.
Disseminam aos quatro cantos que Kardec (entenda-se a Codificação) estaria ultrapassado, como se as verdades universais fossem mutáveis, ao mesmo tempo que desejam inserir no Espiritismo as crendices e superstições cujas origens remontam a milhares de anos, quando a civilização achava-se em sua infância.
E quando chamados à atenção, colocam-se na posição de vítimas, de perseguidos, raivosamente alegando "falta de caridade" daqueles que lutam pacificamente pela manutenção da unidade doutrinária.
No entanto, como bem disse o Espírito Camilo, falta de caridade é justamente nada fazer e tão-somente observar o crescimento dessas estranhas ideias em nosso meio.
Conclui Camilo, magistralmente:
"Afirmou o Celeste Guia que ninguém pode servir a dois senhores... Estabeleceu o Excelso Mestre: Seja o vosso falar sim, sim, não, não... Informa o Espírito da Verdade: Deus procede ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente.
Vale a pena refletir em todos esses brilhantes dizeres e nessas imagens tão expressivas dos mentores da Humanidade.
A hora é, incontestavelmente, de testemunhos difíceis, e quem ainda não se sinta em condições de tomar do conteúdo da luminosa Revelação e dar-lhe impulso positivo, fazendo-a útil a si e aos irmãos do caminho, comece ou recomece o esforço íntimo para o fortalecimento da vontade de crescer, de despojamento do comodismo do homem velho, uma vez que Jesus Cristo confia nos empenhos das suas ovelhas, e conta que esses empenhos sejam verdadeiros, para que o seu devotamento não seja tão somente aparência, a fim de que se possa, então, construir um Movimento Espírita vívido e forte, capaz de representar as excelências do Espiritismo vivenciado e sofrido, se necessário, através das ações e convicções dos seus seguidores fiéis."
Artur Felipe de Azevedo, Goiânia, Goiás (Brasil), Texto colhido do site oconsolador.com.br
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Transtorno compulsivo sexual - CID-11 - Código Internacional de doenças
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