Uma história sobre o tema
Durante muitos anos, Antônio carregou enorme ressentimento contra o irmão. Uma disputa por uma herança havia separado os dois. Ele afirmava:
— Nunca mais quero vê-lo.
Algum tempo depois, Antônio começou a frequentar uma casa espírita. Gostava especialmente das palestras sobre reencarnação.
Um dia ouviu uma reflexão que o perturbou:
“E se algumas das pessoas que mais nos desafiam hoje forem justamente aquelas com quem precisamos aprender alguma coisa?”
Antônio voltou para casa pensando.
Não sabia se havia conhecido seu irmão em outra existência. Não possuía nenhuma revelação mediúnica nem precisava dela.
Percebeu algo muito mais importante:
o problema existia nesta vida.
E era nesta vida que precisava enfrentá-lo.
Na semana seguinte telefonou para o irmão.
Não houve abraço imediato. Não houve milagre. Nenhum dos dois esqueceu décadas de ressentimento em cinco minutos.
Mas Antônio pronunciou quatro palavras:
— Podemos tentar conversar?
Aquele telefonema não resolveu tudo. Mas mudou tudo.
Porque, na visão espírita, talvez o maior fenômeno espiritual daquela história não fosse uma aparição, uma psicografia ou uma comunicação mediúnica.
Era um homem vencendo o próprio orgulho.
E esse talvez seja um dos aspectos mais belos do Espiritismo:
a maior comunicação com o mundo superior pode começar quando conseguimos escutar nossa própria consciência.
O que Jesus acrescenta a tudo isso?
A Doutrina Espírita oferece explicações sobre reencarnação, imortalidade, mediunidade e evolução. Mas a moral de Jesus coloca uma pergunta muito mais exigente:
O que você está fazendo com aquilo que já compreendeu?
Se existe reencarnação, aproveite esta existência.
Se existe vida depois da morte, não viva apenas para aquilo que termina no túmulo.
Se todos estamos evoluindo, tenha paciência com quem ainda não chegou onde você chegou.
Se também erramos no passado, julguemos menos.
Se colheremos consequências de nossos atos, escolhamos melhor.
Se somos todos filhos de Deus, ninguém deveria ser considerado definitivamente perdido.
E se Jesus colocou o amor ao próximo no centro de sua mensagem, o conhecimento espiritual só alcança sua finalidade quando se converte em bondade prática.
Por isso, talvez possamos resumir toda a Doutrina Espírita numa sequência muito simples:
Somos Espíritos.
Somos imortais.
Reencarnamos.
Aprendemos.
Escolhemos.
Erramos.
Reparamos.
Evoluímos.
Amamos.
E caminhamos para Deus.
E há uma consequência extraordinariamente consoladora nisso: ninguém está acabado.
Enquanto existir eternidade, existirá possibilidade de crescimento.