A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, é um conjunto de princípios filosóficos, científicos e morais organizado por Allan Kardec no século 19 a partir do estudo dos fenômenos mediúnicos e das comunicações atribuídas aos Espíritos.

O próprio Kardec apresentou uma definição bastante objetiva:

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” — Allan Kardec, O que é o Espiritismo.

Em linguagem bem simples: o Espiritismo procura compreender quem somos, de onde viemos, por que estamos vivendo na Terra, por que enfrentamos determinadas experiências e o que acontece conosco depois da morte.

A Doutrina procura unir razão, espiritualidade e transformação moral, tomando os ensinamentos de Jesus como principal referência ética.

Pontos importantes para compreender o Espiritismo

Ciência, filosofia ou religião?

Kardec definiu o Espiritismo fundamentalmente como ciência de observação e doutrina filosófica. Posteriormente, especialmente no movimento espírita brasileiro, consolidou-se a expressão de que ele possui um tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso/moral.

A dimensão científica estuda os fenômenos e a relação entre o mundo físico e espiritual. A dimensão filosófica procura responder às grandes perguntas da existência. E a dimensão religiosa está principalmente na transformação moral e na vivência dos ensinamentos de Jesus, sem necessidade de sacerdócio, sacramentos ou rituais tradicionais.

Uma forma simples de guardar seria:

Ciência → investiga.
Filosofia → explica.
Moral cristã → transforma.

5 livros para entender a Doutrina Espírita

O Livro dos Espíritos — Allan Kardec, 1857. 

É a obra fundamental da Doutrina. Organizada principalmente em perguntas e respostas, aborda Deus, criação, Espíritos, reencarnação, leis morais, sofrimento, felicidade e destino da humanidade. É provavelmente o melhor ponto de partida para compreender o pensamento espírita.

O Livro dos Médiuns — Allan Kardec, 1861. 

Trata especialmente da mediunidade, dos diferentes tipos de manifestações espirituais, dos médiuns, das dificuldades da prática mediúnica e dos critérios necessários para avaliar as comunicações.

O Evangelho segundo o Espiritismo — Allan Kardec, 1864. 

Analisa principalmente o aspecto moral dos ensinamentos de Jesus. Perdão, caridade, humildade, sofrimento, família, oração, inimigos e transformação interior aparecem sob a perspectiva espírita.

O Céu e o Inferno — Allan Kardec, 1865. 

Examina temas como morte, vida espiritual, justiça divina, penas e recompensas futuras. Contrapõe a ideia das penas eternas à possibilidade permanente de arrependimento e progresso.

A Gênese — Allan Kardec, 1868. 

Discute criação, milagres, fenômenos espirituais e questões relacionadas à interação entre conhecimento científico e espiritualidade. Essas cinco obras formam o núcleo clássico da Codificação Espírita.

Curiosidades sobre o Espiritismo

Kardec não era o nome verdadeiro do codificador. Ele nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail e utilizou o pseudônimo Allan Kardec em suas obras espíritas.

O Livro dos Espíritos apareceu em 1857. Esse lançamento tornou-se o principal marco histórico do nascimento do Espiritismo organizado.

Kardec não dizia ter inventado a Doutrina. Seu trabalho consistiu em reunir, comparar, questionar, analisar e organizar os ensinamentos obtidos por meio de diferentes médiuns.

O Espiritismo não se resume à mediunidade. Esse talvez seja um dos equívocos mais comuns. Mediunidade é apenas uma parte da Doutrina; sua finalidade maior é moral e filosófica.

A famosa máxima “Fora da caridade não há salvação” ocupa posição central no pensamento espírita. A própria FEB destaca essa tese ao apresentar O que é o Espiritismo.

Pensamentos para refletir e guardar

Allan Kardec:

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos...”

O pensamento é poderoso porque mostra que o objetivo original não era simplesmente acreditar nos Espíritos, mas estudá-los e compreender as consequências filosóficas dessa realidade.

Chico Xavier:

“Nosso Senhor recomenda-nos humildade, paciência, fé, bom ânimo, caridade e amor ao próximo...” — Chico Xavier.

Em poucas palavras, Chico transfere o Espiritismo da teoria para o cotidiano.

Divaldo Franco:

“A Caridade abarca o amor na sua mais elevada expressão.” — Divaldo Franco.

Para Divaldo, portanto, caridade é muito mais que dinheiro ou esmola: envolve dignificar, compreender, acolher e ajudar o outro a reconstruir-se.

Léon Denis:

“O tempo e o trabalho são os dois elementos de nosso progresso.” — Léon Denis, O Progresso.

É praticamente uma síntese da evolução espiritual: ninguém se transforma instantaneamente; construímos a nós mesmos.